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Família, negócios, poder: o que LeBron ganha se mudando para Los Angeles?

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

A notícia que LeBron James assinaria com o Los Angeles Lakers caiu como uma bomba na NBA, e rapidamente os analistas passaram a se debruçar sobre o que isso significaria para LeBron e o Lakers dentro de quadra.

Mas fora das quadras, o que isso significa para o maior astro do basquete mundial?

Família em primeiro lugar

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Lebron James e sua esposa Savannah Brinson, com quem é casado desde 2013.

Em primeiro lugar, a família de LeBron pesou muito na escolha. O astro comprou uma mansão de US$ 23 milhões em Brentwood em 2017, pelo gosto que a família tinha pela cidade. Sua mulher, Savannah, é fã confessa da região, e seu filho mais velho, LeBron "Bronnie" James Jr., está prestes a começar o basquete colegial nos EUA. Em Los Angeles, existem escolas de ponta, onde Bronnie vai poder jogar com a elite dos jovens talentos do país. Há uma tendência da NBA derrubar o veto que impede jogadores colegiais de se inscrever para o Draft nos próximos anos, então não é difícil imaginar que, em quatro anos, o filho de LeBron James possa entrar na NBA, e que seu pai desejaria terminar a carreira jogando ao lado dele.

O atleta mais rico de toda a história

Mas, apesar do próprio LeBron ter afirmado desde o começo que a vontade de sua família seria o grande fator em sua decisão, não é só isso que está em jogo. O astro tem a intenção declarada de ser o atleta mais rico da história, e para isso trabalha já há muitos anos na construção de um império fora das quadras. Além dos patrocínios lucrativos, como seu acordo com a Nike, LeBron também investe em uma série de negócios próprios. Ele ajudou seu amigo Rich Paul a fundar a Klutch Sports, agência de representação de jogadores da NBA, que tem como principal cliente o próprio James. Também tem investimentos em um portfólio diversificado, onde é dono de empresas de tecnologia, cadeias de fast food, além de ser dono minoritário do Liverpool F.C, tradicional time de futebol da Inglaterra.

LeBron e sua produtora cinematográfica

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Lebron e Maverick Carter: melhores amigos infância com negócios em Hollywood.

A vinda para Los Angeles é um catalisador importante para uma de suas empresas com maior potencial, a SpringHill Entertainment. Se trata de uma produtora cinematográfica onde James é sócio de Maverick Carter, um de seus melhores amigos de infância. Entre outras produções menores, até hoje os maiores trabalhos da SpringHill foram os documentários “More than a Game”, que narra a trajetória de LeBron James desde a infância em Akron, Ohio, até o estrelato, e o especial “The Carter Effect”, em parceria com a Netflix, que conta como a presença de Vince Carter no Toronto Raptors ajudou a consolidar a franquia na NBA e gerou uma geração de canadenses talentosos para o basquete.

Estando em Los Angeles, capital mundial do entretenimento e da indústria cinematográfica, LeBron poderá buscar novos negócios para suas empresas de mídia, que além da SprinHill também incluem a Uninterrupted, empresa de mídia digital dedicada a ser uma plataforma para conteúdo criado pelos atletas para os fãs, exibido no portal Bleacher Report.

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Mais uma edição do clássico Space Jam

Já se especula, inclusive, que James e a SpringHill poderiam estar envolvidos no projeto de um novo filme Space Jam. Na trama original, de 1996, alienígenas invasores roubam os talentos de astros da NBA, e são derrotados por Michael Jordan e os Looney Tunes em jogo de basquete. Na suposta continuação, os alienígenas voltariam para invadir o Staples Center e roubar os talentos das lendas do Lakers, e LeBron, como novo astro do time, os derrotaria, assim como Jordan no original.

O primeiro filme foi um grande sucesso de bilheteria e merchandising, e é provavelmente o maior filme de basquete já produzido. A continuação, aliando as marcas poderosíssimas do Lakers e de LeBron, certamente seria uma produção com retornos bilionários

Tudo isso, aliado ao simples fato de maior atenção da mídia por estar em Los Angeles e jogando na franquia mais midiática da NBA, os ganhos em publicidade e negócios serão enormes para LeBron, e com isso vem junto o que normalmente é consequência de exposição e dinheiro: poder.

Não é só pelo basquete

LeBron já é, claro, o melhor jogador da NBA e uma voz muito influente entre os jogadores, tanto nas negociações da união dos atletas com a liga, quanto como liderança para temas políticos, como recentemente se posicionou (e tem feito isso costumeiramente) contra o presidente dos EUA, Donald Trump. LeBron se posiciona em temas socialmente sensíveis, e através da LeBron James Family Foundation, patrocina uma grande quantidade de organizações de caridade para diversas causas, desde ajudar a combater a pobreza no mundo a criação de bolsas de estudos para jovens que precisam. Podendo gerar mais dinheiro e ter mais influência conduzindo seus negócios a partir de uma das cidades mais visadas do mundo, LeBron consolida seu trabalho também como liderança em temas socialmente relevantes, e influencia positivamente a comunidade a seu redor, ajudando a trazer atenção para temas importantes.

Assim, fica claro que as motivações para LeBron se juntar ao Lakers são muito maiores do que apenas a performance dentro de quadra. James já é um atleta que transcende o esporte e que já pertence ao olimpo dos grandes jogadores de basquete da história, mas como este calculado movimento em direção a Los Angeles, ele se posiciona para se transformar num ícone global em diversas frentes, com potencial para se transformar em uma pessoa muito influente nestas áreas mesmo após sua aposentadoria. Realmente, não é apenas dentro de quadra que LeBron é um gênio com visão de jogo acima dos demais. Fora delas, é um grande estrategista e um homem de negócios comprometido. Com esta tacada, LeBron, mais uma vez, subiu o nível em relação a concorrência.

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