Brad Stevens: superstar
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Brad Stevens: superstar

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

Com apenas 41 anos de idade e apenas cinco temporadas na NBA, Brad Stevens já conseguiu o que pouquíssimos técnicos alcançam na liga: é unanimidade. O treinador é, atualmente, o comandante mais temido dos playoffs da NBA.

Em sua carreira meteórica, foi designado técnico da universidade de Butler em 2007, aos 30 anos de idade. Em 2010, em seu terceiro ano no cargo, se tornou o segundo treinador mais jovem da história a chegar numa final universitária, onde seu time foi derrotado pela poderosa universidade de Duke por apenas dois pontos de diferença.

Sucesso na NCAA fez com que Celtics contratasse o treinador na época com 36 anos

O sucesso na NCAA logo chamou a atenção da NBA, o Boston Celtics contratou o treinador em 2013, então com 36 anos de idade, para liderar os esforços de reconstrução da franquia após as saídas dos campeões Paul Pierce, Kevin Garnett e Ray Allen. Após apenas uma temporada de poucas vitórias com um elenco ruim, Stevens surpreendeu. Classificou o Celtics aos playoffs em sua segunda campanha, e foi a partir daí que começou a ficar claro que ele era especial. Ele terminou em quarto lugar na votação para melhor técnico do ano, e o Celtics nunca mais ficou fora dos playoffs. Entre 2015 e 2017, jogadores como Isaiah Thomas, Jae Crowder e Avery Bradley tiveram os melhores anos de sua carreira, e com a chegada do All-Star Al Horford, em 2017, o time alcançou o primeiro lugar do Leste e chegou até às finais da conferência nos playoffs, onde foi derrotada muito devido à ausência do lesionado Thomas, principal pontuador da equipe.

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Com tanto sucesso em pouco tempo, e jogadores rendendo muito em equipes montadas com foco na defesa e coletividade, era questão de tempo até que Boston se tornasse um destino atrativo a agentes livres. O primeiro a ser convencido pelo projeto foi Al Horford, em 2016, seguido por Gordon Hayward, em 2017, que já havia sido comandado por Stevens em Butler, no jogo do título em 2010.

A seguir, Kyrie Irving foi trocado para a equipe, e de repente o técnico que começou num projeto de reconstrução, em menos de cinco anos, já tinha convencido a liga de que era o próximo grande treinador a entrar para a história do basquete e tinha na mão um elenco repleto de estrelas, jovens jogadores e futuras escolhas de Draft. Com Horford, Hayward e Irving, cercados de jovens e bons jogadores como Jayson Tatum, Jaylen Brown, Terry Rozier e outros, o sucesso parecia inevitável.

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Em prova com série de lesões de seus principais jogadores

Aí veio a temporada. No primeiro jogo da campanha, o Celtics perdeu Hayward para um lesão gravíssima na perna, tirando o atleta de toda a temporada. O time respondeu com uma sequência de 16 vitórias consecutivas.

Depois, mais para o final da campanha, a equipe perdeu Kyrie Irving pelo restante da temporada e por todos os playoffs. Com o time segundo colocado no Leste e com grandes chances de chegar às Finais da NBA, o clima ficou pesado para a torcida do Celtics. Mas Stevens não deixou a equipe se abalar. Com um trabalho técnico muito acima da média de seus pares, eliminou a talentosa equipe do Bucks no primeiro round, e agora ostenta uma confortável liderança de 3 a 0 contra o Philadelphia 76ers, badalada equipe que era favorita para chegar até a final do Leste antes do início da série.

Ao longo da campanha, Brown, Tatum, Rozier e outros jogadores do elenco experimentaram evolução muita acima da curva se comparados a seus pares com o mesmo tempo de carreira na NBA, enquanto que Horford e Irving mantiveram seu nível de All-Star de campanhas anteriores. Isso se deve, muito, a Stevens. Além do profundo conhecimento e inteligência tática, ele também é um líder nato. Sabe motivar seus jogadores como ninguém, e por conta disso os atletas estão sempre preparados e confiantes para bater qualquer adversário. Foi assim que o Celtics abriu a confortável liderança sobre o Sixers, que apesar de muito talentosa, ainda é uma equipe insegura e imatura.

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O Celtics está sim muito desfalcado, e por isso as chances da equipe ser eliminada nesta ou na próxima fase dos playoffs ainda existe. Mas a conclusão que fica, é que nenhum time que estivesse sem seus dois melhores jogadores sequer se classificaria no primeiro round se não tivesse uma base muito sólida e um líder tão forte por trás deste trabalho, e é por isso que Brad Stevens, em pouquíssimo tempo de carreira, já se tornou um grande astro entre os técnicos da NBA, numa posição onde pouquíssimos profissionais alcançam este tipo de status.

Técnico do Leste no All-Star Game de 2017

No All-Star Game de 2017, onde Stevens foi designado para ser técnico do Leste, ele fez questão de pedir a seu pessoal de vídeo que preparasse um clipe individual de cada jogador, mostrando a trajetória deles desde o momento em que entraram na NBA até a seleção para aquele All-Star Game, para que eles percebessem a importância e a honra daquele momento em que se encontravam. No meio de um evento que muitos encaram apenas como festa ou uma distração, Stevens fez questão de se conectar com cada um de seus atletas, fazendo-os se sentir especiais e ao mesmo tempo responsáveis por aquele momento. Esta é a marca de um grande líder.

É por tudo isso que o Boston Celtics é a grande ameaça para todas as outras franquias no futuro próximo da NBA. Alguns agentes livre escolhem seus times para jogar com outras estrelas, outros escolhem pela cidade em que estão inseridos ou pelo salário que vão ganhar. Enquanto tiver o excelente Brad Stevens no comando, o Boston Celtics vai atrair jogadores que queiram trabalhar com este profissional muito acima da média, e isso faz dele o grande superstar da franquia, o cara que garante que o time vai ser um adversário de ponta sempre, não interessando o que aconteça com a equipe neste caminho. 

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