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25 anos do Dream Team - O domínio em quadra

11 de Agosto | Ricardo Romanelli

No nosso primeiro capítulo sobre os 25 anos do Dream Team, abordamos o processo de formação do elenco do time que viria a se tornar lendário.

O esquadrão entrou em quadra pela primeira vez no Torneio das Américas, em 28 de junho de 1992. Este torneio era um qualificatório para a Olímpiada, disputado em Portland, nos EUA. O primeiro jogo foi contra Cuba, e o Dream Team atropelou. O placar final registrou 136 x 57, ou seja, o time dos EUA fez mais do que o dobro dos pontos do time de Cuba. Miguel Calderón Gómez, técnico do adversário, declarou que tentar parar o time dos EUA era como "tapar o sol com o dedo". O Dream Team passeou pelo torneio, batendo Canadá (105 x 61), Panamá (112 x 52) e Argentina (128-87) na fase de grupos.

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No mata-mata, a dominação continuou. Por ser o melhor classificado de seu grupo, o time entrou direto na semi-final, onde despachou Porto Rico por 119 x 81. Na grande final, mais uma vitória fácil, desta vez contra o Venezuela pelo placar de 127 x 80.

Com este retrospecto, o time chegou à Olímpiada já muito temido, justificadamente. O armador Magic Johnson foi mais um impressionado pelo nível incomparável do time. "Eu olho para a minha direita, e lá está Michael Jordan. Olho para esquerda, tem Charles Barkley ou Larry Bird. Não sei nem para quem passar a bola", declarou o astro, na época da competição.

O time treinou para a Olímpiada durante 6 dias com treinos de 2 horas por dia e jogos de exibição contra outras seleções. Nos dias de folga, os atletas frequentavam praias de nudismo na região. Mas era dentro de casa que a maior competição acontecia. Os melhores jogadores da geração mais talentosa que a NBA já teve estavam em um ginásio treinando 5x5. O nível de intensidade era incomparável, com Jordan e Magic cada um liderando um time. O técnico Chuck Daly fez questão de filmar alguns destes treinos e estas gravações são relíquias que encontramos hoje na internet. Depois de um dos treinos, Jordan, que se aproximava do topo de sua carreira, chegou perto de Bird e Magic num canto e disparou: "Tem um novo xeriffe na cidade". Os dois astros sabiam, naquele momento, que tinham passado a coroa do basquete a Jordan.

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Este fato ocorreu após um treino on Daly dividiu os jogadores em duas equipes. O time azul tinha Magic, Barkley, Robinson, Mullin e Laettner. O time branco tinha Jordan, Pippen, Malone, Ewing e Bird. Drexler e Stockton ficaram de fora por conta de lesões, e o time de branco ganhou pelo placar de 40 x 36. Antes do "rachão", Daly orientou que os atletas jogassem com tudo que tivessem, e Jordan declarou que aquele foi o melhor jogo de sua carreira. A revista Sports Illustrated noticiou que aquele foi "o melhor jogo de todos os tempos que ninguém viu".

Se nos treinos havia competição, em quadra o time passeava. Jordan foi titular em todas as partidas. Johnson foi titular em 5 dos 6 jogos que participou, perdendo 2 devido a problemas no joelho. Pippen, Mullin, Ewing, Barkley, Robinson e Malone alternaram a titularidade nas outras posições. O Dream Team fez sua estreia diante da seleção de Angola, massacrando os rivais por 116 a 48. Na fase de grupos, passou por cima de Croácia (103 x 70), Alemanha (111 x 68), Brasil (127 x 83) e Espanha (122 x 81).

Porto Rico deu azar de, novamente, cruzar com EUA nos mata-matas. Nas quartas de final, o Dream Team prevaleceu por 115 x 77, e despachou a Lituânia nas semis por 127 x 76.

Na grande final, o adversário seria a Croácia, já batida na fase de grupos. Os croatas até tentaram complicar a vida dos americanos, e chegaram a liderar a partida por 25 x 23, mas logo o Dream Team virou o jogo e levou com facilidade pelo placar de 117 x 85. O time da Croácia era muito forte e contava com nomes como Drazen Petrovic e Toni Kukoc, que estava pronto para começar a jogar pelo Chicago Bulls de Jordan e Pippen. Ele havia assinado um contrato ganhando mais do que Pippen, e isso fez com que o ala norte-americano e Jordan tivessem especial motivação em marcar o croata.

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A dominação em quadra ecoa anos depois. Até hoje, o Dream Team é considerado a equipe mais forte em todos os esportes coletivos, não só o basquete. 11 dos 12 jogadores estão no Hall da Fama do Basquete (a exceção foi Laettner), assim como 3 dos 4 técnicos (P.J Carlesimo não entrou).

A participação de jogadores profissionais na Olímpiada de 1992 foi um marco para a história do basquete. O interesse no esporte a nível mundial cresceu muito, e o resultado é que hoje vemos uma nova geração de jogadores de fora dos EUA atuando na NBA e em outras ligas ao redor do mundo. Paul Gasol, por exemplo, assistiu ao Dream Team das arquibancadas da Olímpiada em Barcelona, e o torneio foi uma grande influência para que ele e seu irmão Marc buscassem uma carreira no basquete.

O impacto do Dream Team é sentido até os dias de hoje, e é muito seguro dizer que nunca mais haverá uma equipe de basquete tão forte quanto essa.

Confira na íntegra a final da Olimpiada de 1992 entre o Dream Team e a Croácia


Veja também: 25 anos do Dream Team - a formação do elenco

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