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Como seria o “Jogo dos Sonhos” de Jerry West?

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

Jerry West é uma lenda como poucas no basquete. Campeão olímpico e da NBA, 14x All-Star e MVP das Finais como jogador, em 14 temporadas pelo Los Angeles Lakers. Já como executivo, foi responsável pela montagem do elenco da Era Showtime do Lakers, além de ter sido a mente por trás das contratações de Shaquille O’neal e Kobe Bryant para a franquia de L.A. Depois, foi presidente do Memphis Grizzlies, ajudando a criar uma cultura vencedora no Tennessee, além de conselheiro especial deste histórico time do Golden State Warriors que atualmente domina a NBA. No mês passado, aceitou o convite do Los Angeles Clippers para um papel consultivo similar ao que tinha com o Warriors. Além de tudo isso, é dele a silhueta que aparece no logotipo da NBA. Com isso tudo, é seguro dizer que West é uma das maiores mentes da história do basquete.

Por isso mesmo, é muito interessante acompanhar um exercício de imaginação que ele fez em sua autobiografia, “West by West: My Charmed, Tormented Life” (tradução livre: West por West: minha encantada e atormentada vida) publicada em 2011. No livro, West aborda sua batalha com depressão e violência física e emocional por parte do pai quando era criança, aos quais ele credita seu espírito competitivo e incomparável vontade de vencer. Já próximo ao final do livro, ele imagina como seria o “jogo de basquete perfeito”, elegendo quem seriam os atletas a entrar em quadra, os técnicos, o ginásio, quem estaria na torcida e como o jogo se desenrolaria. Confira o que esta lenda do basquete imagina como a partida perfeita.

Primeiro, ele escalou os times e os técnicos:

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O jogo aconteceria no Madison Square Garden, arena favorita de West. Jack Nicholson iria até NY para acompanhar a partida, e sentaria ao lado de Sean Connery, Spike Lee e Snoop Dogg. Dustin Hoffman, Warren Beatty e Denzel Washington também estariam presentes, assim como Frank Sinatra, Sandy Koufax, Don Drysdale, Sam Huff, Jim Brown, Joe Louis e Sugar Ray Leonard. Como é um exercício de fantasia, West também coloca os pintores Monet e Picasso na plateia, e eles fazem rabiscos do que assistem no jogo. Bob Short, Jack Kent Cooke e Jerry Buss, os três donos do Lakers para quem ele trabalhou, também comparecem. Pete Newell e John Wooden, dois técnicos lendários e mentores do ex-jogador, apareceriam para acompanhar. Além deles, West ainda lista membros de sua família, os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama.

Dentro de quadra, valem as antigas regras de marcação, e o hand check é permitido. Também as andadas e carregadas de bola não seriam relativizadas, como hoje são. Todos os jogadores estariam em seus auges físico, técnico e mental. Os atletas também não viajariam de primeira classe e sem grupos de amigos, empresários e outras pessoas estranhas ao jogo os acompanhando. A partir daí, West começa a imaginar como o jogo se desenvolveria.

West entra no jogo após 5 minutos de partida acontecendo, e Pat Riley manda que ele marque Kobe. West tenta forçar Kobe a ir para a esquerda, apesar dele ser excelente com sua mão esquerda, com o objetivo de limitá-lo a um lado da quadra. Bill Russell e Kareem Abdul-Jabbar também fazem um duelo individual, assim como Shaquille O’neal e Wilt Chamberlain. Técnica vs. Técnica e Força vs. Força. Depois, Hakeem Olajuwon entra e passa a jogar contra Wilt, e Chamberlain tem dificuldades com o trabalho de pés inigualável de Hakeem. Na armação, Oscar Robertson e Magic Johnson estão a todo vapor um contra o outro, assim como LeBron James e Dwyane Wade. Depois de algum tempo para entrar no ritmo, LeBron passa a dominar a partida. Karl Malone e Tim Duncan também fazem um duelo, mas Malone tem dificuldades por não ter John Stockton lhe passando a bola. Quando Stockton finalmente entra no jogo, ele e Steve Nash passam a disputar ferrenhamente o controle do jogo. Larry Bird descobre o quão bom Rick Barry realmente é, e Elgin Baylor vs. Julius Erving é o duelo de enterradas que está eletrizando a torcida. Os técnicos estão se dedicando ao máximo, gritando instruções e analisando o jogo.

Com apenas 5 segundos no relógio, o jogo está empatado em 105 a 105. Num pedido de tempo, os times decidem o que fazer. De um lado, Kobe argumenta com Red Auerbach e Phil Jackson que Bird está cansado e quer ter a última bola do jogo. Wilt Chamberlain quer a bola dentro do garrafão, e Kareem lembra a Pat Riley que New York é sua casa e quer a jogada desenhada para ele e Magic. LeBron quer marcar Kobe a todo custo. Enquanto isso, Michael Jordan observa tudo em silêncio e concentrado, com a certeza de que tudo acabará nas mãos dele. Finalmente, West dá um passo a frente e diz “Eu vou fazer o arremesso. Quero que Shaq saia e faça um corta-luz em Kobe. Todos vão esperar que seja Michael o arremessador, mas eu vivo para esses momentos, e sou o mais velho aqui”.

Os jogadores voltam a quadra e Magic passa a bola para West, que começa a contagem regressiva em sua cabeça. “Cinco, quatro, três...”. Ele começa a se movimentar para a direita, “três, dois”, o corta-luz de Shaq em Kobe funciona e West fica livre, na cabeça do garrafão e arremessa a bola exatamente quando a campainha soa. Jerry West acerta o arremesso? Ele não diz. Deixa em aberto para a imaginação do leitor. E aí, o que você acha?

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