Espalhe por Whatsapp

A evolução dos tênis de basquete

Guilherme Borges
Guilherme Borges

O que seria de um pintor sem seu pincel? Ou então de um jogador de futebol sem chuteira, de um escritor sem caneta, um cantor sem microfone, um tenista sem raquete? Não muita coisa. Independente de área, tão importante quanto o profissional, é o instrumento de trabalho. No basquete, o tênis faz a vez.

Todos os acessórios que permeiam o basquete; shorts, camisetas, jerseys, bola e etc. já passaram por mudanças ao longo da história do esporte. Com o tênis não é diferente. Contudo, ele tem uma singularidade interessante. O tênis de basquete representa a cultura do jogo mais do que qualquer outro acessório. O “Air Jordan 3” (o primeiro criado pelo grande Tinker Hatfield), por um exemplo, foi muito utilizado por rappers famosos quando lançado e acabou ditando a moda da época. Até hoje, tênis de basquete, moda e música se misturam. No Estados Unidos é mais do que comum ver celebridades usando “Jordan’s”, “Kobe’s” e “LeBron’s”.

“Eu queria um tênis de basquete refinado, que desse para jogar, mas no fim do dia, que ele também pudesse ser usado com um smoking” – Michael Jordan.

Image title

Dessa forma, o desafio para os designers dos tênis é gigante.

“É necessário se relacionar com o atleta, entender o atleta. No final, é claro, o foco deve ser a performance, mas existe muito mais do que isso.” – Mark Parker, Nike CEO.

Então, além de tentar fazer com que o tênis seja o mais bonito possível, é necessário também que ele represente o atleta como esportista e como pessoa, evidenciando tanto suas características de jogo como as de personalidade. Tudo isso, é claro, associada à melhor “tecnologia para pés” existente, com o intuito de fazer com que o atleta possa jogar sem se preocupar com lesões e podendo sempre estar no nível máximo de performance.

Dentro dessa questão da tecnologia e performance do tênis, está uma discussão que já há muito toma conta do meio do basquete: qual será o melhor tipo de tênis para o atleta, cano baixo ou alto? Vamos dar uma rápida passada pela história da NBA para tentar entender o que os jogadores preferem.

O PRIMEIRO TÊNIS

Image title

De acordo com boatos, o primeiro tênis de basquete criado foi um cano alto, inventado pela própria Spalding. Esse tênis, contudo, não passa de boatos. Não existem fotos dele. Assim, o tênis que é considerado, de fato, como o primeiro criado especialmente para o basquete foi o All-Star da Converse, em 1917. Isso mesmo, o velho All-Star que todos conhecem não foi um tênis criado para roqueiros, para “passear por aí” e etc. foi mesmo inventado e “projetado” para o basquete. É claro que, projetado para o basquete, na época, não significava o que significa hoje. Naquele tempo, um tênis criado para jogar basquete se resumia em ter uma importante característica: o cano alto. O All-Star era assim.

Image title

Em 1920 a estrela do basquete Chuck Taylor se juntou a Converse e os All-Stars passaram a ser carinhosamente conhecidos com o nome do atleta, ou apenas “Chucks”. A dinastia do famoso tênis Chuck Taylor durou até por volta dos anos 60 e 70 quando novas ferramentas de trabalho passaram a ser criadas. Em 70, houve uma “explosão” na indústria dos tênis: a Adidas veio com o Superstar, Pro Ked lançou o Royal Master, a empresa Pony criou o Topstar, a Nike inaugurou a linha Blazer enquanto a Puma foi a mais inovadora criando a primeira linha de tênis dedicada a um atleta, o Puma Clyde, baseado na lenda do basquete e armador do Knicks, Walt “Clyde” Frazier.

Image title

Desses o Adidas Superstar e o Puma Clyde eram os que só possuíam versões de canos baixos, mas não fizeram tanto sucesso. O Nike Blazer, considerado o primeiro tênis Nike de basquete, possuía versões de cano baixo e alto, sendo que só a alto teve grande aderência já que a Gigante passou a investir na ideia de que os “Chucks” eram o velho basquete e os “Blazers” o novo. Atualmente, todos esses modelos possuem versões cano baixo e alto, mas em 1970 e para o basquete, os mais utilizados eram os de cano alto.

As décadas de 80 e 90 foram, sem dúvidas, marcadas pelos tênis da linha Air Jordan. A maioria deles, por exigência do próprio “His Airness”, seguia um modelo cano médio, o que também era novidade. De todos os tênis, o mais icônico talvez seja mesmo o já citado Air Jordan 3, primeiro do designer Tinker Hatfield e modelo que MJ estava utilizando quando protagonizou sua famosa enterrada do lance livre no Campeonato de Enterrada de 1988.

Image title

Image title

Do final dos anos 90, começo dos anos 2000 muitos tênis surgiram, a maioria ficava entre cano médio e alto. Gilbert Arena tinha a linha Gil Zero, que era um tênis de cano baixo, contudo, ele também não teve muita aceitação. Em 2008 a história iria mudar. A Nike adora contar que mudou os designs de tênis de basquete para sempre. Como já vimos, desde o começo da NBA já haviam tênis de cano baixo, porém, eles não tinham muita aderência uma vez que os atletas acreditavam que eles não eram tão seguros quanto os de cano alto.

Foi em 2008 que foi lançado o Kobe Zoom IV, o primeiro tênis de cano baixo que foi amplamente utilizado e aceito e que por isso é considerado como o “primeiro tênis de cano baixo da história da NBA.” A ideia veio do próprio Kobe:

“Em 2008, eu decidi que meu próximo tênis seria de cano baixo. Quando eu contei isso para a Nike eles disseram ‘não’. Eu respondi ‘vocês não podem dizer não. O lema de Phil Knight [co-fundador da Nike] era que a empresa tinha que ouvir a voz do atleta e eu quero um tênis de cano baixo” – Kobe Bryant.

A lenda do basquete cresceu na Itália e sempre foi muito ligado ao futebol. Segundo ele mesmo, ele teve inspiração do esporte mais popular do mundo para desenvolver sua linha de tênis. Para ele, os atletas de Futebol colocavam ainda mais pressão em seus calcanhares e eles usavam canos muito mais baixos do que o basquete, por isso, no basquete também seria possível usar tênis com as mesmas características. A mudança não foi fácil.


“O Kobe IV mudou o jogo. Eu lembro de ter que ir até a Foot Locker e ensinar para eles sobre o Kobe IV porque eles não sabiam como vende-lo. Já era hora de mudança. A falácia do cano alto era que os jogadores acreditavam que protegiam o tornozelo. Na verdade, ele deixa os tornozelos mais fracos e tira sua mobilidade” – Kobe Bryant.

Com essa mudança, atualmente, vemos de tudo. Paul George, Kevin Durant, Kobe e Harden normalmente fazem tênis com cano baixo. Rose, LeBron e Curry normalmente preferem o cano médio ou alto. De qualquer forma, é possível afirmar que hoje em dia todos eles são seguros (ou quase) e que, invariavelmente, continuam sendo os maiores representantes da cultura do Basquete. E vocês, quando vão jogar aquele rachão, preferem qual tipo de tênis, ou qual linha? Deixem nos comentários aí e participem com a gente!

Image title

Dá um play e confira o que rola no nosso som!