Bares de esporte feminino viram febre nos Estados Unidos
Em 2021 não havia nenhum, hoje são 27 bares de esporte feminino nos Estados Unidos, com a WNBA nas telas, marcas como Dove e Stanley e plano de virar rede.
Os bares de esporte feminino viraram negócio nos Estados Unidos. Em 2021 não existia nenhum, e hoje são pelo menos 27 abertos, com outros 12 em obra, segundo a Front Office Sports. A WNBA ajuda a lotar essas casas, e a rede pioneira já vendeu franquias em Indianápolis e Las Vegas, as cidades de Fever e Aces.
- O número de bares desse tipo quadruplicou entre o começo e o fim de 2025.
- Só um fechou até agora, em Austin, porque o imóvel foi desapropriado para uma obra de trem.
- Dez ligas profissionais femininas começaram a jogar nos Estados Unidos desde 2024.
- A franquia do The Sports Bra custa US$ 55 mil a quem quer abrir uma unidade.
Do primeiro bar em Portland aos 27 abertos hoje
O formato nasceu em 2022, no noroeste do país, com dois bares abertos com poucos meses de diferença: o The Sports Bra, em Portland, e o Rough & Tumble, em Seattle. A ideia é simples: as telas passam só, ou primeiro, competições femininas, da WNBA ao futebol da NWSL e ao hóquei da PWHL. O salto veio em 2025, quando o número de casas quadruplicou em doze meses.
Muitos desses bares já passaram dos 18 meses, que é a vida média de um bar nos Estados Unidos. Em Minneapolis, o A Bar of Their Own abriu no começo de 2024 depois de uma vaquinha de mais de US$ 200 mil, e a dona conta que a casa deixou de depender de jogo grande para encher.
A gente dependia quase 100% de evento. Se tinha jogo grande passando, a casa lotava; se não tinha, ficava vazia. Isso mudou, com certeza. (…) O esporte feminino passa praticamente o ano inteiro agora, então a novidade passou um pouco, mas isso é bom.
Em Seattle, Jen Barnes abriu a segunda unidade do Rough & Tumble em dezembro de 2025 e diz que, em 2026, “a comunidade vê o bar como uma segunda casa”. Com mais ligas no ar e com contratos de TV maiores, o bar quase não precisa mais assinar um streaming diferente para cada campeonato, a dor de cabeça que mais pesava no começo.
O plano do The Sports Bra: 40 bares e US$ 75 milhões até 2030
A rede de Portland é a mais ambiciosa do setor, e a expansão foi sendo anunciada em etapas, cada uma com uma fonte diferente de dinheiro.
| O que aconteceu | Quando |
|---|---|
Abre o primeiro bar, com 40 lugares, em Portland fundado por Jenny Nguyen | Abr 2022 |
Recebe aporte da 776 Foundation, de Alexis Ohanian cofundador do Reddit e marido de Serena Williams | 2024 |
Anuncia franquias em Boston, Indianápolis, St. Louis e Las Vegas a primeira rodada da expansão | Jun 2025 |
Anuncia a quinta franquia, em Portland, no Maine a primeira fora das quatro cidades iniciais | Mar 2026 |
Vaquinha bate US$ 1,25 milhão para a sede em Portland meta atingida com três semanas de folga | Meio de 2026 |
Nenhuma das cinco franquias tinha data de abertura firme em setembro, mas Nguyen diz que quatro devem abrir até o fim de 2026. A sede nova vai servir de escola para os franqueados, e a meta declarada é chegar a 40 bares e US$ 75 milhões de faturamento anual em 2030. Hoje a rede tem quatro funcionários em tempo integral no escritório.
O The Sports Bra cresce enquanto as vendas da casa de Portland caem
A expansão convive com números ruins em casa. As vendas do bar de Portland caíram cerca de 10% em relação ao ano passado, e documentos da própria empresa mostraram uma queda de 18% entre 2024 e 2025, com prejuízo operacional crescente, segundo o jornal The Oregonian. Nguyen atribui o rombo aos custos de virar uma rede nacional e diz que o cliente continua indo, mas gasta menos.
“O pessoal continua vindo, mas talvez não peça o segundo drinque, ou pegue uma entrada em vez de um prato principal”, contou ela à Front Office Sports. Barnes, do Rough & Tumble, põe a conta na mesa: para fechar a margem, o hambúrguer com fritas da casa deveria custar uns US$ 40, “mas a gente simplesmente não pode fazer isso”.
Dove e Stanley levaram as marcas para dentro dos bares
Os eventos viraram a outra fonte de receita. O A Bar of Their Own fez uma festa para a final feminina do US Open patrocinada pela Dove, e prepara outra com Natasha Howard, ala do Lynx, para o lançamento do livro de memórias dela. A Stanley 1913, a marca dos copos térmicos, deu bolsas a cinco bares abertos ou em obra, pela parceria com a Togethxr, a empresa de mídia de esporte feminino fundada por Sue Bird, Alex Morgan, Chloe Kim e Simone Manuel.
Nesta quinta, às 22h de Brasília, Fever e Aces decidem a série dos playoffs em Las Vegas, e as duas cidades estão entre as franquias anunciadas pelo The Sports Bra, que espera abrir quatro delas até dezembro. O calendário seguinte ajuda o negócio: a Copa do Mundo feminina de 2027 e os Jogos de Los Angeles em 2028, os primeiros com um pouco mais de mulheres do que de homens entre os atletas.
Números, falas e a cronologia do The Sports Bra conferidos na reportagem da Front Office Sports de 25 de setembro de 2026.








