Adidas deixa a Alemanha e Heineken a Champions: entenda
Adidas deixa a seleção da Alemanha após 72 anos e a Heineken sai da Champions League em 2027. Entenda por que saem, quem entra e quanto vale.
Duas parcerias que pareciam eternas no futebol acabam quase juntas. A adidas veste a seleção da Alemanha desde a Copa de 1954 e sai no fim de 2026, quando a Nike assume. A Heineken deixa a Champions League em agosto de 2027, e a Stella Artois, da AB InBev, ocupa o lugar. Nos dois casos, quem sai perdeu na conta.
- O DFB anunciou a troca em 21 de março de 2024, após concorrência entre fornecedores.
- A Nike veste todas as seleções alemãs de 2027 a 2034, inclusive feminina e base.
- A imprensa alemã fala em cerca de 100 milhões de euros por ano, o dobro da adidas.
- A AB InBev pagaria perto de 200 milhões de euros por temporada, contra 120 milhões da Heineken.
- O pacote da AB InBev inclui Europa League, Conference League e Supercopa da UEFA, até 2032/33.
Desde quando a adidas veste a seleção da Alemanha
A relação nasce em 1954, quando a Alemanha Ocidental ganhou a Copa da Suíça com chuteiras de Adi Dassler, fundador da marca, e vira o símbolo de uma era: as quatro estrelas do uniforme foram conquistadas com as três listras no peito. O próprio DFB, a federação alemã, fala em mais de sete décadas de parceria. O contrato atual vale até dezembro de 2026, e os jogos da Nations League deste segundo semestre são os últimos com a marca de Herzogenaurach.
A adidas preparou a saída. A camisa preta de despedida, com o logo trevo e o escudo usado entre 1978 e 1996, estreou em setembro contra a Holanda, em Amsterdã, segundo o Footy Headlines.
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Por que o DFB trocou a adidas pela Nike
A resposta oficial é dinheiro. No comunicado do DFB, o diretor executivo Holger Blask disse que a Nike apresentou, de longe, a melhor oferta econômica, e que convenceu também com o compromisso de investir no futebol amador e no futebol feminino. O tesoureiro Stephan Grunwald foi mais direto: com o dinheiro da Nike, a federação volta a olhar para “um futuro economicamente estável”.
Até dezembro de 2026, vamos nos empenhar com toda a força pelo sucesso conjunto com o nosso parceiro de longa data, a adidas, a quem o futebol alemão deve muito há mais de sete décadas.
A decisão pegou mal no país. O então ministro da Economia, Robert Habeck, cobrou falta de “patriotismo local”, e torcedores trataram a troca como perda de identidade. A Nike nunca tinha vestido a seleção alemã.
A disputa entre as duas gigantes por camisas e atletas não é novidade nem fora do futebol: no basquete, a Nike perdeu nomes de peso nos últimos anos, como mostra a lista de astros da NBA que largaram a Nike.
Por que a Heineken sai da Champions League depois de 30 anos
A cervejaria holandesa entrou na Champions em 1994, primeiro com a marca Amstel, e estampou o nome Heineken a partir de 2005. Em 30 de outubro de 2025, a empresa confirmou em comunicado que a parceria termina em agosto de 2027 e explicou o motivo: fez “a escolha estratégica de concentrar os patrocínios em plataformas onde o gasto é proporcional à criação de valor, garantindo retorno sobre o investimento”.
No mesmo texto, a Heineken chamou a despedida de “um momento emocionante” e disse que segue na Fórmula 1 e no Premier Padel, circuito de padel com o qual acabara de fechar acordo global.
Quem entra no lugar da Heineken e quanto vai pagar
A AB InBev, dona de Budweiser, Corona e Stella Artois, negociou com a UC3, empresa que reúne a UEFA e a associação dos times europeus. Em setembro de 2026, David Beckham, embaixador global da marca, anunciou que a Stella Artois será a cerveja oficial das três competições de times da UEFA a partir de 2027/28, segundo a Máquina do Esporte. O acordo é de seis temporadas.
O salto de valor explica a troca: segundo o Inside World Football, a categoria de cerveja passa a render cerca de 67% a mais para a UEFA. Para a AB InBev, o Brasil pesa na conta, já que está entre os três maiores mercados da Stella, ao lado de Estados Unidos e Reino Unido.
O que as duas despedidas têm em comum
Nos dois casos, a marca que saiu tinha história e a que entrou tinha mais dinheiro. A adidas não acompanhou a proposta da Nike, e a Heineken decidiu que a Champions custava mais do que devolvia. Patrocínio de futebol virou leilão, e a tradição deixou de ser argumento suficiente, como já se viu no Brasil quando o fim das bets tirou a parceira oficial da NBA. A partir de 2027, a Alemanha joga de Nike e a final da Champions troca de cerveja.
Fim do contrato com a adidas, prazo e falas conforme o DFB, em 21 de março de 2024; saída da Heineken conforme comunicado da empresa, em 30 de outubro de 2025; Stella Artois e valores conforme Máquina do Esporte e Inside World Football, em setembro de 2026.








