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Paul Aron guia a 300 km/h na F1, mas pode perder a carteira

Paul Aron, reserva da Alpine, ignorou sete convocações do serviço militar da Estônia e tem até 13 de novembro para não perder a carteira de motorista.

13 de outubro de 2026 5 min de leitura
Paul Aron guia a 300 km/h na F1, mas pode perder a carteira
Steffen Prößdorf / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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Paul Aron, piloto reserva da Alpine na F1, pode ficar proibido de dirigir carro na rua na Estônia. A Justiça do país mandou suspender a carteira de motorista dele porque, por dois anos, ele não atendeu às convocações para o exame médico do serviço militar obrigatório. O prazo para se apresentar termina em 13 de novembro.

Direto ao ponto
  • Foram sete convocações e lembretes ignorados, segundo o jornal estoniano Õhtuleht.
  • Aron já pagou 1.940 euros em multas, cerca de R$ 10,8 mil.
  • O recurso do advogado Indrek Lillo foi rejeitado pelo tribunal de segunda instância.
  • Para os juízes, a obrigação vale também para quem mora fora do país.

O caso virou assunto no Brasil nesta terça-feira, 13 de outubro, quando sites brasileiros e ingleses de automobilismo repercutiram a reportagem publicada na Estônia uma semana antes. Não há decisão nova: o que mudou foi o alcance da história, que chegou por aqui pelo lado mais curioso, o de um piloto de F1 que corre o risco de não poder levar o carro de casa até o mercado.

Por que a Estônia quer suspender a carteira de Paul Aron

Na Estônia, o serviço militar é obrigatório para os homens de 18 a 27 anos considerados aptos. O primeiro passo é uma avaliação médica marcada pela Agência de Recursos de Defesa, a KRA, que decide se o cidadão tem condições de servir. Segundo o Õhtuleht, Aron passou dois anos sem responder a esses chamados.

A agência aplicou multas coercitivas, que somaram 1.940 euros, e o piloto pagou. O pagamento, porém, não encerra a obrigação: a multa serve para pressionar, não para substituir o exame. Como ele seguiu sem aparecer, a KRA levou o caso à Justiça e pediu a suspensão temporária do direito de dirigir, um instrumento que a lei estoniana prevê para quem foge das convocações. O pedido foi aceito.

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O recurso de Aron perdeu na segunda instância

Com o advogado Indrek Lillo, Aron contestou a decisão no tribunal de segunda instância e perdeu. Segundo o Ralli.ee, os juízes entenderam que o dever de defesa nacional previsto na Constituição da Estônia vale sem exceção também para os cidadãos que vivem fora do país, caso do piloto, que passa a temporada entre a fábrica da Alpine, na Inglaterra, e os circuitos.

Para um atleta de ponta, essa medida não é proporcional.

Indrek Lillo, advogado de Paul Aron, ao Õhtuleht, em 7 de outubro de 2026

Depois da derrota, Lillo disse que o cliente procura uma brecha no calendário de corridas para se apresentar à comissão médica antes de 13 de novembro. Se comparecer, a carteira fica. Fazer o exame também não quer dizer que ele vá servir: a avaliação só define se ele é apto, e ainda não há data para nenhum alistamento.

A suspensão não tira Aron das pistas da F1

A punição vale só para a carteira comum, a de dirigir carro na rua. O próprio Õhtuleht ressalta que ela não afeta em nada a pilotagem de carros de fórmula, que depende da licença internacional emitida pela FIA, e não do documento de trânsito estoniano. Ou seja: Aron poderia seguir acelerando a mais de 300 km/h em um treino livre e, na mesma semana, ser multado se fosse visto ao volante em Tallinn.

Quem é Paul Aron, o reserva da Alpine que treinou pela Audi

Aron foi terceiro colocado da Fórmula 2 em 2024 e desde então é piloto de testes e reserva da Alpine, função que mantém em 2026. Segundo a Speedweek, ele já rodou mais de 10 mil quilômetros de testes em seis carros diferentes da F1. Nesta temporada, a Alpine o emprestou à Audi para dois treinos livres, conforme anunciou a equipe: em Barcelona, no lugar de Nico Hulkenberg, e na Áustria, no lugar de Gabriel Bortoleto. O brasileiro, que abandonou o GP de Singapura, segue titular da Audi.

Em Barcelona, Aron fez o sexto melhor tempo do primeiro treino. Mesmo assim, não tem vaga de titular garantida na F1 para 2027. Em setembro, o site Formula E Notebook apontou que ele negocia com a Cupra Kiro, da Fórmula E, para substituir Dan Ticktum. Não há contrato assinado.

O prazo de 13 de novembro bate com a reta final da F1

O prazo de 13 de novembro cai cinco dias depois do GP de São Paulo, em Interlagos, marcado para 8 de novembro no calendário da F1 2026. É a reta final de um campeonato em que Kimi Antonelli abriu 102 pontos sobre George Russell, como mostra a classificação antes de Austin, e em que a Alpine precisa do reserva à disposição. Se a ida à Fórmula E se confirmar, novembro também é o mês dos testes oficiais da categoria, em Jarama, na Espanha. Aron tem um mês para encaixar uma consulta médica em Tallinn nessa agenda, ou fica sem a carteira de motorista no país onde nasceu.

Caso, multas e fala de Indrek Lillo conforme o Õhtuleht, em 7 de outubro de 2026, e o Ralli.ee, em 8 de outubro; número de convocações conforme GPFans e Speedweek, em 8 e 9 de outubro; treinos pela Audi conforme o site oficial da Audi F1, em 10 de junho de 2026; negociação com a Cupra Kiro conforme o Ralli.ee, em 25 de setembro de 2026.

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