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Entenda a regra de estrangeiros no Brasileirão e quem perde

O limite de estrangeiros no Brasileirão cai de 9 para 5 por jogo até 2030. Veja quantos cada grande tem hoje e quem mais terá de cortar da súmula.

13 de outubro de 2026 6 min de leitura
Entenda a regra de estrangeiros no Brasileirão e quem perde
Foto: Jorge Rodrigues/AGIF/Folhapress
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O Brasileirão vai ter menos estrangeiros por jogo a partir de 2027. Hoje cada time pode relacionar até nove atletas de fora do país em uma partida; o teto cai um por temporada até chegar a cinco em 2030. Vasco e Botafogo são os grandes que mais terão gente fora da súmula.

Direto ao ponto
  • Votação em 21 de setembro de 2026, no Rio, com os 40 times das Séries A e B.
  • Só Flamengo e Bahia votaram contra na Série A; a CBF registrou dois votos contrários.
  • A regra limita relacionados por partida, não o tamanho do elenco nem novas contratações.
  • Em 2027 nasce a Lista B, com 20 vagas só para atletas sub-23.
  • Pelo estudo da CBF, a Série A teve média de 5,4 gringos relacionados por partida em 2026.

O que a CBF e os times aprovaram em 21 de setembro

A proposta saiu da própria CBF e foi votada na quarta reunião da entidade com os times das duas primeiras divisões e as federações estaduais. A mudança vale para as Séries A e B e mexe em duas listas: a de estrangeiros na súmula e a de inscritos na competição.

O total de inscritos continua em 50 por time, mas passa a ser dividido. A Lista A recebe os atletas acima de 23 anos e a Lista B fica só com os sub-23, sem exigência de que tenham sido formados em casa. A divisão começa em 30 e 20 em 2027, passa a 29 e 21 em 2028, a 27 e 23 em 2029 e termina em 25 e 25 em 2030.

Leia também: Entenda por que o Vasco não consegue jogar no Maracanã

O cronograma do limite de estrangeiros de 2027 a 2030

O corte é gradual, um nome por ano, para não estourar contratos longos já assinados. A conta fica assim:

  • 2026: até 9 estrangeiros relacionados por jogo (regra atual).
  • 2027: até 8.
  • 2028: até 7.
  • 2029: até 6.
  • 2030: até 5.

O teto já mudou quatro vezes em pouco mais de uma década: eram 3 até 2013, viraram 5 em 2014, 7 em 2023 e 9 em 2024. A nova regra devolve o número ao patamar que durou de 2014 a 2022.

Quantos estrangeiros cada time grande tem hoje

A regra não proíbe ninguém de ter estrangeiros no elenco, mas quem tiver mais do que o teto vai precisar escolher quem fica de fora a cada rodada. A pergunta é quanto cada grande teria de cortar da súmula se a regra de 2030 valesse hoje.

TimeEstrangeiros
Vasco
Lucas Piton, também brasileiro, fica fora da conta
12
7 fora em 2030
 
Botafogo
Lucas Monzón, também brasileiro, fica fora da conta
11
6 fora em 2030
 
Flamengo
Jorginho, também brasileiro, fica fora da conta
10
5 fora em 2030
 
Grêmio
Kannemann, também brasileiro, fica fora da conta
10
5 fora em 2030
 
Internacional
Eliasson, também brasileiro, fica fora da conta
10
5 fora em 2030
 
Cruzeiro
João Costa, também brasileiro, fica fora da conta
9
4 fora em 2030
 
Fluminense
Matheus Reis, também brasileiro, fica fora da conta
9
4 fora em 2030
 
Bahia
nenhum com dupla nacionalidade brasileira
9
4 fora em 2030
 
Atlético-MG
nenhum com dupla nacionalidade brasileira
9
4 fora em 2030
 
Palmeiras
Mauricio, também brasileiro, fica fora da conta
8
3 fora em 2030
 
Corinthians
nenhum com dupla nacionalidade brasileira
7
2 fora em 2030
 
Santos
nenhum com dupla nacionalidade brasileira
7
2 fora em 2030
 
São Paulo
Coronel e Tolói, também brasileiros, ficam fora da conta
7
2 fora em 2030
 

O Vasco lidera com 12 estrangeiros e, com todos disponíveis, deixaria 7 fora de cada jogo em 2030; já em 2027 seriam 4. O Botafogo vem logo atrás, com 11. Flamengo, Grêmio e Internacional têm 10 cada e precisariam deixar dois de fora já no primeiro ano da regra. Corinthians, Santos e São Paulo, com 7, são os menos afetados e só passam a cortar nomes em 2029. A contagem é do Transfermarkt em 13 de outubro de 2026 e exclui quem também tem nacionalidade brasileira, como Jorginho no Flamengo; com esse critério, o Flamengo bate com os 10 estrangeiros citados pela Folha no dia da votação.

Por que a CBF quer menos estrangeiros no Brasileirão

A CBF apresentou um estudo para sustentar a mudança. Os brasileiros sub-23 caíram de 28,3% para 11,5% dos minutos jogados na Série A entre 2020 e 2026, enquanto os estrangeiros acima de 23 anos subiram de 7,8% para 25%. A idade média da elite foi de 27,3 anos em 2021 para 28,5 em 2026. Na França, os sub-23 ficam com 38% dos minutos; na Inglaterra, 32%; aqui, 13,8%.

Há também o argumento do caixa: segundo a entidade, atletas de até 20 anos renderam 50,1% das receitas brasileiras com vendas ao exterior entre 2016 e 2025. Helder Melillo, diretor executivo da CBF, resumiu a proposta como uma tentativa de “dar mais espaço para os jogadores sub-23 e melhorar a qualidade técnica dos nossos times”.

Flamengo e Bahia votaram contra, e Boto e Jorge Jesus criticam a regra

O Flamengo, dono de um dos elencos com mais estrangeiros, foi o principal opositor. Dez dias depois da votação, o diretor de futebol José Boto, português, comparou o Brasil com o futebol do país dele.

Quem tem qualidade vai jogar. Não é preciso de uma lei para isso.

José Boto, diretor de futebol do Flamengo, em entrevista no Ninho do Urubu, 1º de outubro de 2026

Na mesma entrevista, o volante espanhol Saúl, um dos estrangeiros do elenco rubro-negro, disse que “para você colocar mais jogadores brasileiros, tem que ser porque eles têm bom nível, não só porque são brasileiros”. Jorge Jesus, hoje técnico da seleção de Portugal, seguiu a mesma linha em coletiva no dia 26 de setembro: “Não é reduzir de nove para cinco que vai melhorar o jogador brasileiro.” Para ele, “o problema é a qualidade da formação e a calendarização”.

A naturalização de Pulgar como saída do Flamengo

Uma saída para os times é a cidadania. Segundo a RTI Esporte, citada pela imprensa chilena em 30 de setembro, o Flamengo estuda naturalizar o volante chileno Erick Pulgar, que chegou ao Rio em agosto de 2022 e já soma os quatro anos de residência exigidos para a naturalização ordinária. Pulgar renovou em 2 de setembro até dezembro de 2029. A mesma apuração cita Varela, Rossi e Arrascaeta como próximos candidatos. O Flamengo não confirmou oficialmente o pedido.

O que a regra de estrangeiros ainda não responde

A nota oficial da CBF não trata de exceções: não há regra específica para atletas do Mercosul nem menção a naturalizados, que hoje são inscritos como brasileiros. Também ficou para outra reunião o pedido do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, para rever o limite de 12 jogos que impede um atleta de trocar de time dentro do Brasileirão. Até lá, o que está decidido é o calendário: 8 estrangeiros por jogo em 2027 e 5 em 2030.

Regra, cronograma e números do estudo conforme a nota da CBF de 21 de setembro de 2026 e a Folha; falas de Boto e Saúl ao Lance!, de Jorge Jesus à Gazeta Esportiva; elencos conferidos no Transfermarkt em 13 de outubro de 2026.

Por Redação Hoop78. Como apuramos e corrigimos: política editorial.

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