Entenda a regra de estrangeiros no Brasileirão e quem perde
O limite de estrangeiros no Brasileirão cai de 9 para 5 por jogo até 2030. Veja quantos cada grande tem hoje e quem mais terá de cortar da súmula.
O Brasileirão vai ter menos estrangeiros por jogo a partir de 2027. Hoje cada time pode relacionar até nove atletas de fora do país em uma partida; o teto cai um por temporada até chegar a cinco em 2030. Vasco e Botafogo são os grandes que mais terão gente fora da súmula.
- Votação em 21 de setembro de 2026, no Rio, com os 40 times das Séries A e B.
- Só Flamengo e Bahia votaram contra na Série A; a CBF registrou dois votos contrários.
- A regra limita relacionados por partida, não o tamanho do elenco nem novas contratações.
- Em 2027 nasce a Lista B, com 20 vagas só para atletas sub-23.
- Pelo estudo da CBF, a Série A teve média de 5,4 gringos relacionados por partida em 2026.
O que a CBF e os times aprovaram em 21 de setembro
A proposta saiu da própria CBF e foi votada na quarta reunião da entidade com os times das duas primeiras divisões e as federações estaduais. A mudança vale para as Séries A e B e mexe em duas listas: a de estrangeiros na súmula e a de inscritos na competição.
O total de inscritos continua em 50 por time, mas passa a ser dividido. A Lista A recebe os atletas acima de 23 anos e a Lista B fica só com os sub-23, sem exigência de que tenham sido formados em casa. A divisão começa em 30 e 20 em 2027, passa a 29 e 21 em 2028, a 27 e 23 em 2029 e termina em 25 e 25 em 2030.
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O cronograma do limite de estrangeiros de 2027 a 2030
O corte é gradual, um nome por ano, para não estourar contratos longos já assinados. A conta fica assim:
- 2026: até 9 estrangeiros relacionados por jogo (regra atual).
- 2027: até 8.
- 2028: até 7.
- 2029: até 6.
- 2030: até 5.
O teto já mudou quatro vezes em pouco mais de uma década: eram 3 até 2013, viraram 5 em 2014, 7 em 2023 e 9 em 2024. A nova regra devolve o número ao patamar que durou de 2014 a 2022.
Quantos estrangeiros cada time grande tem hoje
A regra não proíbe ninguém de ter estrangeiros no elenco, mas quem tiver mais do que o teto vai precisar escolher quem fica de fora a cada rodada. A pergunta é quanto cada grande teria de cortar da súmula se a regra de 2030 valesse hoje.
| Time | Estrangeiros |
|---|---|
Vasco Lucas Piton, também brasileiro, fica fora da conta | 12 7 fora em 2030 |
Botafogo Lucas Monzón, também brasileiro, fica fora da conta | 11 6 fora em 2030 |
Flamengo Jorginho, também brasileiro, fica fora da conta | 10 5 fora em 2030 |
Grêmio Kannemann, também brasileiro, fica fora da conta | 10 5 fora em 2030 |
Internacional Eliasson, também brasileiro, fica fora da conta | 10 5 fora em 2030 |
Cruzeiro João Costa, também brasileiro, fica fora da conta | 9 4 fora em 2030 |
Fluminense Matheus Reis, também brasileiro, fica fora da conta | 9 4 fora em 2030 |
Bahia nenhum com dupla nacionalidade brasileira | 9 4 fora em 2030 |
Atlético-MG nenhum com dupla nacionalidade brasileira | 9 4 fora em 2030 |
Palmeiras Mauricio, também brasileiro, fica fora da conta | 8 3 fora em 2030 |
Corinthians nenhum com dupla nacionalidade brasileira | 7 2 fora em 2030 |
Santos nenhum com dupla nacionalidade brasileira | 7 2 fora em 2030 |
São Paulo Coronel e Tolói, também brasileiros, ficam fora da conta | 7 2 fora em 2030 |
O Vasco lidera com 12 estrangeiros e, com todos disponíveis, deixaria 7 fora de cada jogo em 2030; já em 2027 seriam 4. O Botafogo vem logo atrás, com 11. Flamengo, Grêmio e Internacional têm 10 cada e precisariam deixar dois de fora já no primeiro ano da regra. Corinthians, Santos e São Paulo, com 7, são os menos afetados e só passam a cortar nomes em 2029. A contagem é do Transfermarkt em 13 de outubro de 2026 e exclui quem também tem nacionalidade brasileira, como Jorginho no Flamengo; com esse critério, o Flamengo bate com os 10 estrangeiros citados pela Folha no dia da votação.
Por que a CBF quer menos estrangeiros no Brasileirão
A CBF apresentou um estudo para sustentar a mudança. Os brasileiros sub-23 caíram de 28,3% para 11,5% dos minutos jogados na Série A entre 2020 e 2026, enquanto os estrangeiros acima de 23 anos subiram de 7,8% para 25%. A idade média da elite foi de 27,3 anos em 2021 para 28,5 em 2026. Na França, os sub-23 ficam com 38% dos minutos; na Inglaterra, 32%; aqui, 13,8%.
Há também o argumento do caixa: segundo a entidade, atletas de até 20 anos renderam 50,1% das receitas brasileiras com vendas ao exterior entre 2016 e 2025. Helder Melillo, diretor executivo da CBF, resumiu a proposta como uma tentativa de “dar mais espaço para os jogadores sub-23 e melhorar a qualidade técnica dos nossos times”.
Flamengo e Bahia votaram contra, e Boto e Jorge Jesus criticam a regra
O Flamengo, dono de um dos elencos com mais estrangeiros, foi o principal opositor. Dez dias depois da votação, o diretor de futebol José Boto, português, comparou o Brasil com o futebol do país dele.
Quem tem qualidade vai jogar. Não é preciso de uma lei para isso.
Na mesma entrevista, o volante espanhol Saúl, um dos estrangeiros do elenco rubro-negro, disse que “para você colocar mais jogadores brasileiros, tem que ser porque eles têm bom nível, não só porque são brasileiros”. Jorge Jesus, hoje técnico da seleção de Portugal, seguiu a mesma linha em coletiva no dia 26 de setembro: “Não é reduzir de nove para cinco que vai melhorar o jogador brasileiro.” Para ele, “o problema é a qualidade da formação e a calendarização”.
A naturalização de Pulgar como saída do Flamengo
Uma saída para os times é a cidadania. Segundo a RTI Esporte, citada pela imprensa chilena em 30 de setembro, o Flamengo estuda naturalizar o volante chileno Erick Pulgar, que chegou ao Rio em agosto de 2022 e já soma os quatro anos de residência exigidos para a naturalização ordinária. Pulgar renovou em 2 de setembro até dezembro de 2029. A mesma apuração cita Varela, Rossi e Arrascaeta como próximos candidatos. O Flamengo não confirmou oficialmente o pedido.
O que a regra de estrangeiros ainda não responde
A nota oficial da CBF não trata de exceções: não há regra específica para atletas do Mercosul nem menção a naturalizados, que hoje são inscritos como brasileiros. Também ficou para outra reunião o pedido do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, para rever o limite de 12 jogos que impede um atleta de trocar de time dentro do Brasileirão. Até lá, o que está decidido é o calendário: 8 estrangeiros por jogo em 2027 e 5 em 2030.
Regra, cronograma e números do estudo conforme a nota da CBF de 21 de setembro de 2026 e a Folha; falas de Boto e Saúl ao Lance!, de Jorge Jesus à Gazeta Esportiva; elencos conferidos no Transfermarkt em 13 de outubro de 2026.
Por Redação Hoop78. Como apuramos e corrigimos: política editorial.








