Entenda por que Tifanny Abreu está fora da Superliga
Uma semana depois de ser eleita a melhor da final da Supercopa, Tifanny Abreu perdeu no STJD e ficou impedida de seguir na Superliga pelo Osasco.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) manteve nesta sexta (23), por unanimidade, a regra da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que impede Tifanny Abreu de jogar a Superliga Feminina. A oposta do Osasco, de 41 anos, jogava por liminar, e o Tribunal de Justiça do Rio também deu razão à CBV.
- Desde agosto, a CBV exige teste genético negativo para o gene SRY de quem joga na categoria feminina.
- Primeira mulher trans na elite do vôlei brasileiro, Tifanny jogou a Supercopa e a 1ª rodada por liminar.
- Na Justiça comum, o tribunal citou o artigo 217 da Constituição.
- Na final da Supercopa, em 16 de outubro, ela fez 15 pontos e foi a melhor.
O que diz a regra da CBV
Em agosto, a CBV decidiu que os torneios da categoria feminina passariam a ser exclusivos para atletas do sexo biológico feminino, alinhando-se às políticas do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Vôlei. Na prática, a confederação passou a pedir um teste genético com resultado negativo para o gene SRY, ligado ao desenvolvimento sexual masculino. A CBV deferiu a inscrição das outras jogadoras do Osasco e deixou a de Tifanny pendente.
A defesa sustentou que havia uma regulamentação internacional que permitia a participação dela, que Tifanny já tinha disputado temporadas anteriores da Superliga e que tinha contrato profissional com o Osasco. O STJD respondeu que esses pontos “não afastam, isoladamente, a competência da CBV para atualizar seus critérios de elegibilidade”. A confederação, por sua vez, afirmou que a política “é uma norma geral, aplicável igualmente a todas”.
Como Tifanny jogou até aqui
Com a regra nova, o Osasco foi à Justiça comum e conseguiu, horas antes da final da Supercopa, uma liminar que liberou Tifanny de forma provisória. Na final da Supercopa, em 16 de outubro, no Ginásio Castelinho, em São Luís, ela fez 15 pontos, três deles de saque, na vitória por 3 x 0 sobre o time do Praia, e recebeu o troféu de melhor jogadora da final. Três dias depois, estreou na Superliga na vitória por 3 x 0 sobre o Brasília, fora de casa.
O vídeo abaixo, do ge tv, mostra os melhores momentos de Brasília x Osasco, que pode ter sido o último jogo dela na competição.
No Campeonato Paulista, que não é organizado pela CBV, a federação estadual manteve Tifanny, e o Osasco foi campeão com ela. Foi a única competição em que ela pôde jogar sem precisar de decisão judicial nesta temporada.
O que Tifanny disse antes do julgamento
Desde o anúncio da regra, a jogadora se manifestou pelas redes sociais. Na semana da Supercopa, escreveu:
Podem tentar colocar obstáculos no meu caminho, mas não vão apagar a minha história. Minha trajetória foi construída com trabalho, talento e amor pelo vôlei.
Na mesma mensagem, disse que quer “continuar jogando, competindo e construindo minha trajetória até o momento em que eu mesma decidir encerrar minha carreira”.
O que acontece agora
Com as duas decisões desta sexta, Tifanny não pode mais entrar em quadra nas competições da CBV, e a Superliga segue sem ela. No Tribunal de Justiça do Rio, a decisão se apoiou no artigo 217 da Constituição, que pede que as instâncias da Justiça Desportiva se esgotem antes de a Justiça comum interferir, e registrou que “a mera urgência decorrente do calendário esportivo não parece suficiente, isoladamente”. A defesa ainda pode recorrer, mas, enquanto isso, o Osasco segue a temporada sem a oposta que defende o time desde 2021.
Decisão do STJD e regra da CBV conforme o Diário do Grande ABC e o Sportbuzz; decisão do TJ-RJ e falas da jogadora conforme O Tempo; números da Supercopa pelo Bahia Notícias, em 23 de outubro de 2026.
Por Redação Hoop78. Como apuramos e corrigimos: política editorial.









