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EuroLeague responde à NBA com 24 times e 800 milhões

A EuroLeague levantou 800 milhões de euros, vai a 24 times em 2027-28 e diz que compete sozinha se não fechar acordo com a NBA.

8 de setembro de 2026 5 min de leitura
EuroLeague responde à NBA com 24 times e 800 milhões
Foto: NBA
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A EuroLeague respondeu à NBA com dinheiro e estrutura. Levantou mais de 800 milhões de euros em 12 propostas vinculantes de investidores e vai passar de 20 para 24 times em 2027-28, a mesma temporada em que a NBA Europa estreia. O recado do novo CEO é que ela compete sozinha se não houver acordo.

Direto ao ponto
  • O ultimato aos fundadores para assinar licença de dez anos venceu em 15 de janeiro.
  • O Barcelona assinou e descartou a NBA Europa; o Fenerbahçe cedeu em abril.
  • Real Madrid e ASVEL seguem sem assinar, e o ASVEL ruma à Basketball Champions League.
  • Em 9 de janeiro a EuroLeague avisou a NBA de que pode ir à Justiça.
  • Cinco dos últimos seis MVPs da NBA nasceram na Europa.

Chus Bueno assumiu em fevereiro e mudou o tom da EuroLeague

Se não conseguirmos um acordo na Europa, vamos competir na Europa. Essa foi a discussão que tivemos internamente e, se for necessário, estamos preparados.

Chus Bueno, CEO da EuroLeague

A frase marca uma virada. Até o ano passado a liga europeia falava em preservar tradição e repetia que não precisava de salvador. Agora o discurso é de concorrente, não de guardião. Bueno assumiu o cargo em fevereiro e passou a tratar a conversa com os americanos como negociação entre iguais, com uma condição declarada: “Tem que funcionar para nós dois, não só para um lado”. Nos bastidores, a carta de 9 de janeiro já avisava que a EuroLeague estudaria ação legal se a NBA continuasse conversando com times que têm licença de longo prazo assinada.

Os quatro fundadores cobrados em janeiro, e onde cada um parou

A pressão da EuroLeague não foi só sobre a NBA. Ela cobrou compromisso dos próprios donos de licença permanente, e o resultado dessa cobrança explica o tamanho do estrago.

TimeOnde parouAssinou
Barcelonalicença de dez anos fechada em janeirosim
Fenerbahçeacordo destravado na reunião de 14 de abrilsim
Real Madridsegue avaliando o cenárionão
ASVELcaminha para a Basketball Champions Leaguenão

Dois dos quatro assinaram e dois não. O Barcelona fechou dez anos ainda em janeiro e com isso tirou o próprio nome da lista de convidados da NBA. O Fenerbahçe resistiu até abril e cedeu. O Real Madrid, maior campeão da competição, continua sem assinar. E o ASVEL, de Villeurbanne, deve disputar a Basketball Champions League em 2026-27 enquanto espera uma vaga na liga que ainda não existe. Perder um fundador para uma competição menor é o preço que a EuroLeague já pagou nesta briga.

A EuroLeague vai a 24 times no ano em que a NBA Europa estreia

O calendário da expansão não é coincidência. A EuroLeague mantém 20 times em 2026-27 e salta para 24 em 2027-28, exatamente quando a NBA planeja abrir a liga dela com 16 equipes, sendo 12 franquias fixas e quatro vagas por mérito. São quatro cadeiras novas para oferecer a quem estiver sendo cortejado do outro lado, e o dinheiro para bancá-las vem das 12 propostas vinculantes que somam mais de 800 milhões de euros, algo em torno de R$ 4,7 bilhões.

E as cadeiras novas já têm endereço na cabeça de quem manda. Bueno citou quatro cidades ao falar do plano: “Estamos falando de Paris, Londres, Milão, Nápoles, grandes cidades que queremos explorar para entender como podemos ter franquias lá”. Três delas, Paris, Londres e Milão, estão na lista das 12 cidades da NBA Europa. As duas ligas miram os mesmos endereços, com ordens de grandeza parecidas de dinheiro, para começar no mesmo ano.

O argumento dele contra a existência de duas ligas é o de sempre em disputa de mercado, e ele não disfarça: “Se você tiver duas ligas, isso vai criar uma fragmentação do valor, institucionalmente, mas também comercialmente, nos direitos de mídia e na presença dos torcedores”. Traduzindo, as duas perdem: menos dinheiro de transmissão de cada lado e ginásio dividido nas mesmas cidades.

Por que os gigantes europeus hesitam em trocar de lado

Real Madrid, Barcelona e Fenerbahçe têm interesse declarado no projeto americano, e mesmo assim nenhum dos três pulou o muro. O motivo apontado por quem acompanha as conversas é simples: a NBA Europa ainda não apresentou plano detalhado. Times com um século de história não assinam um projeto sem certeza econômica e esportiva, por mais que a entrada custe entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão e o dinheiro esteja disponível. É o mesmo cálculo que os donos americanos fizeram ao entrar no futebol europeu, só que na direção contrária.

A EuroLeague chega a essa mesa com um argumento que não é retórico: 15% dos jogadores da NBA são europeus e cinco dos últimos seis MVPs nasceram na Europa. O basquete que a liga americana quer comprar já é o que abastece a própria liga americana. Do outro lado, a NBA tem caixa, marca e uma fila de investidores. As duas partes se encontraram na Suíça em abril e saíram sem acordo. Enquanto isso, quem já tentou casar futebol europeu com basquete de alto nível sem estrutura, como o Real Betis, terminou em processo de insolvência.

Apurado em 8 de setembro de 2026 nas declarações do CEO da EuroLeague à Reuters, publicadas pela CNN Brasil, no balanço da NBA sobre a liga europeia e na imprensa especializada europeia.

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