Fim das bets: o time mais dependente não é o Flamengo
Com o fim das bets, o São Paulo tirou da camisa a marca que pagava 73% do seu marketing. Veja quem mais dependia das apostas e quem ocupou o lugar.
Com o fim das bets, o time mais exposto, na proporção, é o São Paulo, e não o Flamengo. Em 2025, a Superbet pagou R$ 113 milhões ao tricolor, 73% do que ele faturou com marketing, segundo a consultoria Sports Value. O Flamengo, dono do maior contrato do país, dependia das apostas para metade dessa receita.
- A Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026, proibiu as apostas de quota fixa.
- Sites e aplicativos das casas de apostas saíram do ar em 6 de outubro.
- As casas de apostas somaram R$ 1,143 bilhão nos 20 maiores orçamentos do país no ano passado.
- Em 2024 tinham sido R$ 618 milhões: alta de 85% em um ano.
De onde vem a conta de R$ 1,1 bilhão que saiu das camisas
A medida do governo federal proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, as esportivas incluídas, conforme a Secretaria de Prêmios e Apostas. As marcas tiveram de sair das camisas, das placas e das transmissões até 5 de outubro.
O número que circula, R$ 1,1 bilhão, tem duas origens que chegam ao mesmo lugar. A Sports Value somou R$ 1,143 bilhão pagos pelas bets aos 20 times de maior receita em 2025, pouco mais de um terço dos R$ 3,166 bilhões que eles faturaram com marketing. Um levantamento da agência Jambo Sport Business para o g1, só com o patrocínio máster da Série A, chegou a cerca de R$ 1,1 bilhão no mesmo ano. Para 2026, a lista de contratos publicada pela CNN Brasil, com 13 times da elite e valores anuais, soma pouco mais de R$ 1 bilhão.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, fez uma conta maior, que inclui o efeito em cadeia sobre o resto do mercado:
O futebol brasileiro vai perder, no ano que vem, alguma coisa em torno de R$ 2,5 bilhões.
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São Paulo, Atlético-MG e Botafogo dependiam mais das bets que o Flamengo
Quem perde mais dinheiro não é necessariamente quem perde mais base. A pergunta que importa para o caixa é outra: quanto da receita de marketing de cada time vinha de uma casa de apostas?
| Time | Bets no marketing (2025) |
|---|---|
São Paulo Superbet | 73% R$ 113 mi de R$ 154 mi |
Atlético-MG H2Bet | 69% R$ 40 mi de R$ 58 mi |
Botafogo VBet | 57% R$ 55 mi de R$ 96 mi |
Corinthians Esportes da Sorte | 54% R$ 150 mi de R$ 278 mi |
Flamengo Betano | 50% R$ 269 mi de R$ 541 mi |
Santos Novibet | 49% R$ 70 mi de R$ 142 mi |
Vasco Sportingbet | 43% R$ 50 mi de R$ 117 mi |
Palmeiras Sportingbet | 40% R$ 100 mi de R$ 249 mi |
Fluminense Superbet | 39% R$ 52 mi de R$ 132 mi |
Cruzeiro Betnacional | 12% R$ 40 mi de R$ 332 mi |
Bragantino bet fora do máster | 8% R$ 31 mi de R$ 398 mi |
O São Paulo lidera com 73%, seguido pelo Atlético-MG, com 69%, e pelo Botafogo, com 57%. O Flamengo aparece só em quinto, com 50%, porque fatura R$ 541 milhões em marketing, a maior receita da lista. No outro extremo, Cruzeiro e Bragantino tinham menos de 13% do marketing atrelado às bets. Os números são de 2025 e foram divulgados pela Sports Value em setembro de 2026.
Amir Somoggi, diretor da consultoria, resumiu o efeito ao Lance!, em 26 de setembro: “Realmente o impacto imediato vai ser altíssimo”. Em março, quando a proibição ainda era hipótese, ele já apontava o problema do modelo ao BPMoney: “Esse Easy Money trabalhou contra o marketing esportivo brasileiro”.
Quem ocupou o espaço das bets nas camisas
Os substitutos chegaram com prazo curto. O espaço mais caro do uniforme passou a ser vendido jogo a jogo ou por poucas rodadas, e a Shopee ficou com o Corinthians só até o fim do Brasileirão, depois de a Jota.ai ocupar a camisa em uma partida. O Inter usou a Shopee em ações pontuais, segundo o Meio & Mensagem.
São Paulo e Fluminense mantiveram o contrato com a Superbet e estamparam a Superscore, site de estatísticas do mesmo grupo, que não é proibido. O Flamengo trocou a Betano pela frase “Proibir não é proteger” e trouxe a Lubrax de volta às costas da camisa depois de 17 anos. O Palmeiras preferiu jogar com o peito vazio, porque o contrato com a Sportingbet vai até dezembro de 2027.
Fora dos times, apareceram dinheiro público e indústria. O Governo de Minas Gerais anunciou R$ 32 milhões para Atlético-MG, Cruzeiro e América, com aportes da Cemig e da Codemge. Na Série B, a BYD assumiu o máster do Vila Nova até o fim de 2026, e a Hipper Freios entrou no lugar da bet no Criciúma.
O que ainda pode devolver as bets às camisas
A MP precisa ser votada pelo Congresso em até 120 dias para virar lei, e mais de 20 times pediram ao Supremo para participar das ações que questionam a medida, relatadas pelo ministro Luiz Fux. O governo não prometeu socorro imediato. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na entrevista após o anúncio da proibição, segundo a InfoMoney: “Caso seja necessário, caso essa seja a avaliação do governo, vamos adotar uma medida na sequência. Mas para hoje, não.”
Enquanto Fux não decide, o Brasileirão segue com camisas de patrocínio provisório na briga pela tabela do Brasileirão. O São Paulo, que tinha três quartos do marketing em uma bet, é o time que mais precisa de um patrocinador novo para 2027 se a MP virar lei.
Participação das bets no marketing conforme a Sports Value, em estudo divulgado pelo Poder360 em setembro de 2026; regras da MP conforme o Ministério da Fazenda; contratos de 2026 conforme a CNN Brasil, em 25 de setembro; fala de Bap conforme a CNN Brasil, em 25 de setembro; de Amir Somoggi conforme o Lance!, em 26 de setembro, e o BPMoney, em 29 de março; de Dario Durigan conforme a InfoMoney, em 26 de setembro; substitutos conforme o Meio & Mensagem, em 7 de outubro de 2026.
Por Redação Hoop78. Como apuramos e corrigimos: política editorial.








