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LeBron fecha com site de apostas depois de criticar apostas

LeBron anunciou parceria com a Polymarket três anos depois de dizer que a aposta tirou a integridade do jogo. A reação foi imediata.

10 de setembro de 2026 5 min de leitura
LeBron fecha com site de apostas depois de criticar apostas
Foto: Getty Images via NBA
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LeBron James anunciou no sábado uma parceria com a Polymarket, plataforma onde se aposta em previsões sobre eventos futuros. Três anos atrás, ele disse em entrevista que a aposta esportiva tinha tirado parte da integridade do jogo. As duas frases são dele, e a distância entre elas explica por que o anúncio virou o assunto da semana.

Direto ao ponto
  • A campanha é sobre futebol americano, não sobre basquete.
  • Oito horas após o anúncio, o vídeo tinha 10 milhões de visualizações e 8,1 mil curtidas.
  • Giannis Antetokounmpo já é sócio de uma plataforma parecida desde fevereiro.
  • A regra da liga permite o que os dois fizeram.
  • A própria NBA deve anunciar acordos com plataformas do tipo.

Três anos entre a crítica e o contrato

A sequência de fatos entre a entrevista e o comercial ajuda a medir essa distância.

O que aconteceuQuando
LeBron diz que a aposta tirou a integridade do jogo
entrevista ao Los Angeles Times
Nov 2023
Ele estrela comerciais da DraftKings com Kevin Hart
primeiro acordo dele com casa de aposta
2024
Giannis vira sócio da Kalshi
menos de 1% da empresa
Fev 2026
LeBron anuncia a parceria com a Polymarket
palpites da primeira semana da NFL
5 set 2026
O comercial completo vai ao ar
com Eli Manning, Derek Jeter e Spike Lee
8 set 2026

Da entrevista ao comercial são quase três anos, e o meio do caminho tem um acordo que quase ninguém lembrou nesta semana: em 2024, cerca de doze meses depois da fala, ele estrelou comerciais da DraftKings ao lado de Kevin Hart. A Polymarket é o segundo acordo do tipo, não o primeiro.

A fala que voltou a circular não era sobre negócio, e sim sobre como o torcedor passou a assistir aos jogos. Em entrevista ao Los Angeles Times, LeBron reclamou da múltipla que virou o assunto de quem acompanha a NBA:

É estranho que alguns dos nossos torcedores de sempre, que amam o jogo, hoje só se importem com uma múltipla. (…) Isso meio que tirou parte da integridade do jogo, porque as pessoas só se importam mesmo com a aposta.

LeBron James, ao Los Angeles Times em 2023

A crítica dele era a de um jogador que via a arquibancada acompanhar o placar de olho no palpite, e não na partida.

A conta que o público fez

A reação não precisou de pesquisa para ser medida. Bastou olhar o próprio post.

Oito horas depois de publicado, o vídeo tinha passado de 10 milhões de visualizações e acumulava 8,1 mil curtidas. Para um jogador com o alcance que ele tem, a proporção é o retrato de um público que assistiu e não gostou. Nos comentários, a acusação mais repetida foi a de que ele teria se vendido para uma casa de apostas.

O comercial completo, que foi ao ar na terça-feira, mostra LeBron visitando uma sede fictícia da empresa, com participações de Eli Manning, Derek Jeter e Spike Lee. Nem a Polymarket nem o jogador informaram valores ou a duração do contrato.

Ele não foi o primeiro

O caso ganhou tamanho por causa do nome, mas a porta já tinha sido aberta por outro MVP, e de um jeito bem mais profundo.

Em 6 de fevereiro deste ano, Giannis Antetokounmpo se tornou o primeiro jogador da NBA a assumir participação acionária em uma plataforma de previsões, a Kalshi, com menos de 1% da empresa. O anúncio saiu um dia depois de o Bucks decidir não trocá-lo na data-limite.

O detalhe que gerou desconforto: havia US$ 23 milhões apostados na própria Kalshi sobre se ele seria negociado ou não. Parte da torcida acusou o grego de alimentar o rumor para movimentar o mercado. As regras da plataforma proíbem que ele opere em mercados da NBA ou em qualquer aposta que envolva o nome dele.

O comissário Adam Silver foi perguntado sobre o caso na entrevista coletiva do All-Star, em fevereiro, e não viu problema: “Pelo que eu entendo, é um investimento minúsculo, bem menor que 1%, então isso não viola as regras que foram negociadas com o sindicato dos jogadores”.

A regra permite, e a liga vai pelo mesmo caminho

Nenhum dos dois fez nada proibido, e é justamente aí que a discussão fica interessante.

O acordo coletivo da NBA impede que jogador aposte em jogos da liga, mas libera publicidade e pequenas participações em empresas de aposta. A campanha de LeBron é sobre futebol americano, com palpites da primeira semana da NFL, o que a coloca fora do basquete e dentro da regra.

Ao mesmo tempo, NBA, MLB e os sindicatos de jogadores enviaram carta à comissão que regula esse mercado nos Estados Unidos pedindo que atletas e funcionários sejam proibidos de apostar nas ligas em que trabalham por meio dessas plataformas. E a expectativa no mercado é de que a própria NBA anuncie acordos oficiais com empresas de previsão antes do início da temporada.

É o mesmo terreno em que a liga já se queimou: o escândalo das apostas tirou jogadores de quadra e levou casos à Justiça. A diferença agora é que a aproximação é institucional, e o maior nome da história recente está no comercial.

LeBron entra na temporada aos 41 anos, na 24ª da carreira, depois de trocar o Lakers pelo 76ers por dois anos e US$ 8 milhões, o menor contrato que já assinou.

Detalhes da parceria publicados pelo The Philadelphia Inquirer. Dados do acordo de Giannis com a Kalshi apurados pela Sportico.

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