O contrato de Jaylen Brown proíbe boxe. Ele subiu no ringue
Jaylen Brown lutou boxe na Nigéria e disse que não fez preparo nenhum. A cláusula padrão da NBA cita o boxe com todas as letras.
Jaylen Brown publicou na terça-feira um vídeo em que aparece trocando golpes em um ringue na Nigéria. Na legenda, escreveu que não tinha feito preparo nenhum para aquilo. O contrato que ele assinou com a NBA diz, em uma cláusula com nome e sobrenome, que jogador não pode boxear sem autorização por escrito do time.
- Ele estava na Nigéria a trabalho da própria ONG, a 7uice Foundation.
- A luta foi uma exibição, não um combate amador oficial.
- O pai dele foi campeão mundial de boxe pela WBU em 2016.
- Nem o jogador nem o 76ers comentaram o vídeo.
- Ele estreia por um time apontado como favorito na Conferência Leste.
O que aconteceu na Nigéria
A viagem não tinha nada a ver com esporte de combate. Brown estava no país a trabalho da fundação que leva o apelido dele, a 7uice, e o ringue apareceu no meio do roteiro.
O que estava no roteiro era outra coisa: ele comandou um camp de basquete para jovens da região, treinando com atletas locais. E recebeu do Ooni de Ifé, um dos monarcas iorubás, o nome ancestral Babatunde, que significa “o pai retornou”. É assim que a imprensa nigeriana passou a chamá-lo.
O vídeo, publicado no Instagram na terça-feira, mostra um confronto de exibição, e não uma luta amadora regulamentada. Parte da imprensa americana identificou o adversário como o peso-pesado Solomon Imoleayo, mas o local, o formato e o próprio resultado nunca foram confirmados oficialmente. A frase que ele escreveu ao postar resume o improviso: não fez preparo nenhum.
O interesse pelo esporte, porém, é antigo. Brown treina muay thai e disse em fevereiro que, depois de uma parte da carreira, gostaria de participar de algo como o UFC ou o boxe, e que já tinha conversado sobre o assunto com Dana White. O vídeo abaixo não é o da Nigéria, que saiu no Instagram dele: é de um treino do Celtics em 2024, e serve para mostrar que a luta não foi um impulso de entressafra.
O que o contrato da NBA proíbe
A regra não é uma linha vaga sobre bom senso. É um parágrafo que enumera as atividades uma a uma, e a luta abre a lista.
- Luta: qualquer briga, boxe ou wrestling.
- Esportes radicais: paraquedismo, asa-delta, esqui, escalada, jet ski, rafting, rapel, bungee jump, cama elástica e mountain bike.
- Motor: moto, ciclomotor, quadriciclo e off-road de qualquer tipo, além de qualquer veículo motorizado em prova.
- Voo: pilotar aeronave de qualquer tipo.
- Armas: fogos de artifício, armas de fogo ou qualquer outra arma.
- Duas rodas elétricas: patinete elétrico e hoverboard.
- Seguro: o que a apólice contratada pelo time excluir.
O texto exige autorização por escrito do time para qualquer atividade que exponha o jogador a risco substancial de lesão, e quem descumpre fica sujeito a punição da equipe, do comissário, ou de ambos. Não se sabe se Brown pediu ou obteve esse consentimento.
Por que o 76ers tem motivo para se incomodar
O desconforto não é com o hobby, e sim com o calendário e com o tamanho do investimento que estava dentro daquele ringue.
Brown recebe cerca de US$ 57,7 milhões nesta temporada e ainda tem três anos e aproximadamente US$ 183 milhões a receber do supermax que assinou com o Celtics em julho de 2023. Ele chegou à Filadélfia em 6 de julho, em uma troca que mandou Paul George, duas escolhas de primeira rodada e duas de segunda para Boston.
O time montou um elenco de favorito ao Leste em torno dele, de Joel Embiid, de Tyrese Maxey e de LeBron James, que aceitou o menor contrato da carreira para estar ali. Esse grupo ainda não disputou um único jogo junto, e o training camp abre em semanas.
O boxe é assunto de família
Há uma explicação para a naturalidade com que ele subiu no ringue, e ela não está no contrato nem na fundação.
Quenton Brown, pai do jogador, é ex-boxeador profissional e foi campeão mundial da WBU em 2016, além de conquistar o cinturão peso-pesado da WBU C.A.M. no ano anterior. O filho cresceu vendo isso de perto, e a exibição na Nigéria é menos um capricho de entressafra do que a continuação de uma história antiga.
O nome que ele recebeu na viagem fecha a coincidência sem que ninguém tenha planejado: Babatunde quer dizer o pai retornou, e foi de luvas que o filho apareceu.
O que muda é o contexto. Antes ele era um campeão da NBA com um contrato caro em Boston. Agora é a peça em torno da qual a Filadélfia apostou o próprio ciclo, ao lado de um LeBron James de 41 anos que tem pressa. O risco de um soco mal encaixado deixou de ser só dele.
Vídeo e circunstâncias apurados pelo Bleacher Report. Cláusula contratual e valores conferidos no Yardbarker.








