Naomi Osaka entrou na quadra central do US Open na noite de 31 de agosto vestida como Allen Iverson: tranças rente ao couro cabeludo, faixa na testa e manga preta no braço direito. A homenagem ao armador do 76ers dominou o primeiro dia do torneio e ela ainda venceu a estreia.
- Osaka bateu Anastasia Zakharova por 7-6 (6) e 7-6 (3), em pouco mais de duas horas.
- O manto com recortes de jornal saiu da grife Who Decides War, de Téla D'Amore e Ev Bravado.
- Law Roach, estilista de Zendaya, comandou a produção da entrada.
- Iverson entrou no Hall da Fama em 2016 e teve a camisa 3 aposentada pelo 76ers em 2014.
- Osaka busca o terceiro título do US Open, depois dos troféus de 2018 e 2020.
O figurino, peça por peça
A tenista apareceu no túnel do Arthur Ashe com um manto claro de capuz, sem manga, costurado com recortes de jornal sobre a própria carreira, e uma saia branca de tule por baixo. Trocou de roupa para jogar, mas manteve o que importava na citação: o cabelo trançado, a faixa preta e vermelha na testa, a manga vermelha no braço esquerdo e a preta no direito. Vermelho e preto são as cores que Iverson usava na cabeça em Filadélfia, e a manga de compressão virou marca dele depois de uma bursite no cotovelo. O tema partiu da patrocinadora: "A Nike falou basquete, então eu disse: tudo bem, quer basquete? Eu dou basquete", contou a tenista.
Por que Iverson, e não outro
Osaka não escolheu o jogador mais vencedor nem o mais alto da lista. Escolheu o que mudou o jeito de a arquibancada olhar para quem entra na quadra, e explicou isso na entrevista pós-jogo.
Para mim, ele é um desbravador. É alguém que eu admiro muito, porque fez bastante coisa na moda, de propósito ou não. Ele mudou a forma como os jogadores da NBA se vestem.
A leitura tem lastro. Foi a estética que Iverson levou para a beira da quadra, corrente grossa, boné para trás e roupa larga, que empurrou a NBA a escrever um código de vestimenta em 2005. A liga tentou apagar o estilo e conseguiu o contrário: transformou o corredor do vestiário na passarela que existe até hoje. Quem quiser o contexto de quadra encontra o nome dele entre as maiores lendas do 76ers.
O que Iverson fez para virar referência
Vale lembrar por que o nome dele ainda carrega esse peso quase vinte anos depois da última grande temporada. A resposta está nas quatro vezes em que ele terminou o ano como cestinha da liga.
| Temporada | Pontos por jogo |
|---|---|
1998-99 ano encurtado pela paralisação | 26,8 1º título de cestinha |
2000-01 MVP e vaga nas Finais | 31,1 2,5 roubos por jogo |
2001-02 melhor marca da carreira | 31,4 3º título de cestinha |
2004-05 aos 29 anos | 30,7 4º título de cestinha |
Foram quatro anos acima de 26 pontos com um jogador de 1,83 m, e três deles acima de 30, algo que só um punhado de nomes conseguiu na história. A média de 26,7 na carreira é a sétima maior de todos os tempos, e sustenta a presença dele em qualquer lista de melhores alas-armadores da NBA.
A resposta de Iverson
Iverson viu. No Instagram, ele escreveu que ficou honrado, se declarou fã e disse que quer conhecer a tenista. Osaka já tinha aberto a porta na coletiva, ao comentar que esperava que ele visse a homenagem. O encontro ainda não tem data.
Fica o detalhe que resume a coisa toda: o único troféu que Iverson nunca levantou foi o de campeão, e mesmo assim o figurino dele atravessou o basquete, chegou ao tênis e apareceu no maior palco de Nova York. Nem sempre o placar é o que sobra.



