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Naomi Osaka entra em quadra vestida de Allen Iverson

Hoop78 01 de Setembro de 2026

Naomi Osaka entrou na quadra central do US Open na noite de 31 de agosto vestida como Allen Iverson: tranças rente ao couro cabeludo, faixa na testa e manga preta no braço direito. A homenagem ao armador do 76ers dominou o primeiro dia do torneio e ela ainda venceu a estreia.

Direto ao ponto
  • Osaka bateu Anastasia Zakharova por 7-6 (6) e 7-6 (3), em pouco mais de duas horas.
  • O manto com recortes de jornal saiu da grife Who Decides War, de Téla D'Amore e Ev Bravado.
  • Law Roach, estilista de Zendaya, comandou a produção da entrada.
  • Iverson entrou no Hall da Fama em 2016 e teve a camisa 3 aposentada pelo 76ers em 2014.
  • Osaka busca o terceiro título do US Open, depois dos troféus de 2018 e 2020.

O figurino, peça por peça

A tenista apareceu no túnel do Arthur Ashe com um manto claro de capuz, sem manga, costurado com recortes de jornal sobre a própria carreira, e uma saia branca de tule por baixo. Trocou de roupa para jogar, mas manteve o que importava na citação: o cabelo trançado, a faixa preta e vermelha na testa, a manga vermelha no braço esquerdo e a preta no direito. Vermelho e preto são as cores que Iverson usava na cabeça em Filadélfia, e a manga de compressão virou marca dele depois de uma bursite no cotovelo. O tema partiu da patrocinadora: "A Nike falou basquete, então eu disse: tudo bem, quer basquete? Eu dou basquete", contou a tenista.

Por que Iverson, e não outro

Osaka não escolheu o jogador mais vencedor nem o mais alto da lista. Escolheu o que mudou o jeito de a arquibancada olhar para quem entra na quadra, e explicou isso na entrevista pós-jogo.

Para mim, ele é um desbravador. É alguém que eu admiro muito, porque fez bastante coisa na moda, de propósito ou não. Ele mudou a forma como os jogadores da NBA se vestem.

Naomi Osaka, tenista

A leitura tem lastro. Foi a estética que Iverson levou para a beira da quadra, corrente grossa, boné para trás e roupa larga, que empurrou a NBA a escrever um código de vestimenta em 2005. A liga tentou apagar o estilo e conseguiu o contrário: transformou o corredor do vestiário na passarela que existe até hoje. Quem quiser o contexto de quadra encontra o nome dele entre as maiores lendas do 76ers.

O que Iverson fez para virar referência

Vale lembrar por que o nome dele ainda carrega esse peso quase vinte anos depois da última grande temporada. A resposta está nas quatro vezes em que ele terminou o ano como cestinha da liga.

TemporadaPontos por jogo
1998-99
ano encurtado pela paralisação
26,8
1º título de cestinha
 
2000-01
MVP e vaga nas Finais
31,1
2,5 roubos por jogo
 
2001-02
melhor marca da carreira
31,4
3º título de cestinha
 
2004-05
aos 29 anos
30,7
4º título de cestinha
 

Foram quatro anos acima de 26 pontos com um jogador de 1,83 m, e três deles acima de 30, algo que só um punhado de nomes conseguiu na história. A média de 26,7 na carreira é a sétima maior de todos os tempos, e sustenta a presença dele em qualquer lista de melhores alas-armadores da NBA.

A resposta de Iverson

Iverson viu. No Instagram, ele escreveu que ficou honrado, se declarou fã e disse que quer conhecer a tenista. Osaka já tinha aberto a porta na coletiva, ao comentar que esperava que ele visse a homenagem. O encontro ainda não tem data.

Fica o detalhe que resume a coisa toda: o único troféu que Iverson nunca levantou foi o de campeão, e mesmo assim o figurino dele atravessou o basquete, chegou ao tênis e apareceu no maior palco de Nova York. Nem sempre o placar é o que sobra.

Declarações e detalhes do figurino conferidos na cobertura da ESPN; placar da estreia no boletim da WTA.

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