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Kyrie Irving: Perguntas e Respostas

Thiago Agovino
Thiago Agovino

Qual é a sua válvula de escape fora do basquete?

Eu gosto muito de ler, meditar e aproveitar a companhia dos amigos e família. As coisas que faço fora do basquete são bem simples.

Qual foi o último livro que você leu?

Do Osho, chama-se “Coragem”. Foi ótimo. Sobre o Osho, quando eu descobri quem era, li seus outros livros. (Courage) é a respeito de ter mais conhecimento sobre você. Sentir tranquilidade com os acontecimentos do mundo exterior e controlar apenas o que você pode controlar.

Qual foi a grande sacada que você tirou do livro?

A grande lição foi viver sob meus termos. Ser capaz de falar de suas emoções de forma honesta para outra pessoa. Para crescer como indivíduo, você precisa primeiro amar à si. Por mais clichê que isso pareça, foi meu maior aprendizado. Para poder se sentir confortável no mundo como ele é e com o que está acontecendo, você precisa se manter firme sobre quem é você. A jornada para encontrar você mesmo é sempre difícil, eu pessoalmente gosto. Eu amo desafios.

Qual foi o maior desafio para você encontrar o seu eu?

É algo em andamento. Essa jornada nunca acaba. Ela começou antes mesmo de eu jogar basquete e ainda continuará por muito tempo. É que esquecemos da gente quando tentamos decifrar o mundo à nossa volta, nosso propósito e tudo mais. Esquecemos de ter tempo para focar em nós mesmos. Por mais que isso soe como egoísmo, eu realmente não ligo de ser egoísta nos momentos onde me encontro. Posso ser melhor para o mundo se eu me tornar melhor. A grande lição que eu tiro disso é sobre ter tranquilidade em situações desconfortáveis. Isso se aplica muito na minha história de vida. Eu tinha um bloqueio e se chamava medo. Era medo do que as outras pessoas iriam pensar. Medo de falhar. De ir para a vida e não ter a educação que eu imaginava. Uma vez que rompi esta barreira, aceitando o medo e dizendo na cara dele que eu iria vencê-lo, então tudo começou a ficar mais claro. Eu comecei a me sentir bem comigo mesmo.

Descobriu alguma coisa nova sobre você após superar esse bloqueio do medo?

Sim, que sou forte além de tudo. Eu realmente acredito nisso. Acredito que todo mundo tem uma força interna que deseja mostrar, mas a única forma de fazer isso é através da paz interior. Aí você começa a desenvolver e conhecer esta força que deseja compartilhar com o mundo. E isso independe do que você quer fazer, sejam artes, fazer parte de uma cultura, ser o melhor atleta possível, o melhor músico, estudante, qualquer coisa que você mentalize ou demonstre capacidade para mudar ou ser melhor em algo. A maioria das pessoas tem medo de não conseguir. Muitos tem medo de errar uma nota em uma grande apresentação. E isso tem a ver com preparação para os momentos que estão por vir. Eu sempre me preparei para grandes momentos, como aquele último arremesso. Com a preparação vem a meditação. Posso falar de forma interminável sobre isso, porquê significa muito pra mim, e é a única maneira que me sinto capaz de exercer influência e mudar o que eu desejo ver do mundo.

Como achar esta paz interior te ajudou a fazer coisas que não conseguia antes?

Me sinto mais tranquilo para pedir ajuda. Também para ajudar as pessoas que estão na minha vida e procuram respostas ou conselhos. Quando estamos no comando do que acontece na nossa vida, ficamos muito centrados em nós mesmos e não queremos compartilhar nossas emoções. As pessoas meio que têm medo de compartilhar sentimentos com outras pessoas por que não querem se sentir vulneráveis. Não é que você irá se sentir vulnerável, é apenas um sentimento desconhecido em um lugar desconhecido. Então, como você compensa isso? Você procura respostas em outras fontes, formula e absorve para você. A única pessoa que pode ter respostas é você. Ninguém pode te dar uma resposta e dizer ‘É isso’. O que eles podem fazer é te dar um pedaço da mente deles e você coleta as partes e assim constrói conhecimento com o tempo. Começa a ficar bonito isso e você passa a aceitar a opinião dos outros, não porquê estão forçando isso, mas por que você escolheu assim.

É difícil para você ou pessoas como você para se abrirem? Quanto disso você tem que aprender?

Você precisa aprender através da experiência. Vivemos num mundo hoje onde uma palavra que você diz pode ser mal entendida em redes sociais, numa revista ou qualquer outro meio. Todos estão julgando tanto que estamos freando as crianças logo cedo à fazer as coisas que elas têm em mente. Todo mundo tenta limitar a outra pessoa por não quererem ver ela se sair bem. Eu sou a pessoa diferente, encorajo as crianças e a próxima geração para serem indivíduos. Quero inspirar e incentivar as pessoas à falar sobre sua mente e emoções, algo que nunca se sentiram confortáveis para fazer. É um sentimento desconhecido, mas a única forma que você será capaz de vivenciar a verdadeira liberdade e paz de espírito que você procura, é passando pelo desconhecido. Se preparando da melhor maneira que puder, ter essa experiência e seguir em frente. Esta é a única forma que conheço. Eu sempre tive personalidade forte. Mesmo com a privacidade que tenho hoje, estou mais disposto a me abrir e falar com pessoas sobre coisas além do basquete. Eu já sei muito sobre isso, mas tive que sobreviver na vida após o jogo terminar. Tento usar esta plataforma que tenho para alcançar e inspirar a próxima geração e ser esta voz de liderança. Quero ser líder de uma geração, mais do que mostrar o que o basquete pode fazer por você. Quero mostrar às pessoas o que a vida pode fazer à você se utilizar as ferramentas à sua volta sem ter medo.

Qual é a coisa mais importante que deseja passar para a próxima geração?

É duro cara, você tenta abordar tanta coisa, mas a maior mensagem é mostrar muita, muita humildade e ter paciência. Você precisa se tornar um ouvinte ao invés de um locutor o tempo todo. Demora um tempo para você ser o líder da sua própria vida. Quando a gente vem para esse mundo, é dito o que deve ser feito, o que pode, o que não pode. Quando você vai ficando mais velho, eu tento dizer para a próxima geração, por favor, escute seus pais antes de falar. Seja paciente e saiba que você está se desenvolvendo dia após dia, e você vai continuar se desenvolvendo pelo resto de sua vida.

Educação nunca é um processo com fim, e vem com a maturidade muitas vezes. Todo mundo quer as coisas agora, no momento. ‘Se eu tivesse isso agora minha vida seria perfeita’, bem, vai levar tempo para você chegar no lugar que você quer”.

Teve algum momento ou experiência na sua vida que te levou para este caminho?

É simples como acordar todo dia tentando encontrar seu propósito. Tentar descobrir como eu me encaixo neste mundo. Uma vez que tirei esta ideia da minha cabeça, percebendo que eu não preciso me encaixar no mundo, o mundo precisa se encaixar à minha volta. Achei mais razões plausíveis para viver e o porquê de eu querer ser quem eu desejo ser quando parei de procurar um propósito único para isso. Não quero deixar só um legado. Quero deixar legados múltiplos e a maior coisa que quero deixar nesta Terra é as pessoas pegarem estes legados e desenvolvê-los. É isso que eu espero.

O Basquete te completa em tudo?

O Basquete é algo que eu trabalho muito duro do ponto de vista mental e físico e continuarei fazendo isso. Ao mesmo tempo, as horas que não estou jogando basquete precisam ser importantes. Eu não fujo da realidade pelo que faço ou pelo que sou. Isso seria falta de bom senso. Todos queremos deixar algo neste mundo para ser lembrado. Mesmo que esse mundo não entenda perfeitamente o ponto que você quer chegar, tudo que você tem que fazer é dar o que puder, tirar tudo do seu potencial e colocar na mesa. Se ninguém aceitar, qual o problema? É sobre deixar o que você procurou e aprendeu”.

Fonte: Rohan Nadkarni/Sports Illustrated

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