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Enes Kanter sumiu da NBA aos 30 anos, e ele explica por quê

Expulso de um jogo da WNBA no domingo, Enes Kanter Freedom jogou 748 partidas na NBA e parou aos 30. Os números e a versão dele sobre o fim da carreira.

24 de agosto de 2026 4 min de leitura
Enes Kanter sumiu da NBA aos 30 anos, e ele explica por quê
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Enes Kanter Freedom voltou às manchetes no domingo, expulso da quadrada de um jogo da WNBA. O que a cobertura do episódio deixou de fora é o basquete: ele jogou 748 partidas na NBA, foi titular por boa parte de uma década e parou aos 30 anos. Ele tem uma explicação para isso.

Direto ao ponto
  • Foram 11 temporadas, 748 jogos, médias de 11,2 pontos e 7,8 rebotes por partida.
  • Passou por Jazz, Thunder, Knicks, Celtics e Blazers, com duas passagens por Boston.
  • A melhor temporada foi 2017-18, pelo Knicks: 14,1 pontos e 11,0 rebotes por jogo.
  • A última foi 2021-22, aos 29 anos, e desde então ele não assinou com nenhum time.

Como a carreira terminou

O fim não teve anúncio. Em fevereiro de 2022 ele foi trocado pelo Celtics para o Rockets, e Houston o dispensou sem que ele entrasse em quadra. Tinha 29 anos. Nunca mais recebeu proposta de time nenhum da liga, e a queda que antecedeu isso aparece melhor nos números do que em qualquer narrativa.

TemporadaRebotes por jogo
2020-21
no Blazers, 72 jogos
11,0
11,2 pontos
 
2018-19
entre Knicks e Blazers, 67 jogos
9,8
13,7 pontos
 
2019-20
no Celtics, 58 jogos
7,4
8,1 pontos
 
2021-22
no Celtics, 35 jogos, a última
4,6
3,7 pontos
 

Uma temporada antes do fim, ele pegava 11,0 rebotes por jogo em Portland, número de pivô titular em qualquer elenco. Na seguinte, de volta a Boston, caiu para 4,6 em 35 partidas e perdeu a vaga na rotação. Entre um ano e outro, o basquete dele encolheu antes de a carreira acabar.

A versão dele

Kanter atribui o fim da carreira ao que fez fora de quadra. A partir de 2021 ele passou a entrar em jogos com tênis pintados à mão criticando o governo chinês pela perseguição aos uigures, e também atacou publicamente a Nike pela operação da marca na China. Diz que foi avisado do que aconteceria.

Um companheiro me disse: Enes, você sabe que esta é a sua última temporada na NBA, né? Se criticar a China e a Nike, você nunca mais vai jogar nesta liga. Foi basicamente o que aconteceu.

Enes Kanter Freedom, em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos

Ele também afirma que a Nike recusou fechar contrato com ele por medo de retaliação comercial, e que o sindicato dos jogadores pressionou para que parasse de usar os tênis de protesto. Naquele mesmo período ele trocou o nome, ao virar cidadão americano: passou a assinar Freedom.

O que a liga nunca disse

A NBA nunca confirmou nada disso, e não existe registro de decisão coletiva para mantê-lo fora. Do lado do basquete, há um argumento simples: pivô de mobilidade limitada e defesa fraca no perímetro virou a peça mais descartável da liga na última década, e a temporada final dele mostra um jogador que já tinha perdido espaço antes de qualquer polêmica virar manchete.

As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo, e é exatamente por isso que o caso nunca se resolveu.

O que ele virou depois

Sem time, Kanter passou a viver de ativismo em tempo integral, com depoimento no Congresso americano e presença constante em programas de opinião. Nos últimos meses passou a atacar a participação de atletas trans no esporte feminino, e chegou a dizer, em tom de deboche, que se inscreveria no draft da WNBA de 2027.

Foi nesse contexto que ele apareceu no domingo em Indiana, no jogo entre Fever e Sky, com uma camisa preta trazendo a definição de dicionário da palavra mulher. No fim do terceiro quarto, a armadora Natasha Cloud converteu uma bandeja, comemorou com uma companheira e foi na direção dele, gritando e apontando. A segurança o retirou.

Depois, ele escreveu na própria conta: “acabei de ser expulso de um jogo da WNBA por defender MULHERES”. O técnico do Sky, Tyler Marsh, respondeu que jogadoras merecem respeito no ambiente de trabalho delas e que “quem vai a um jogo deveria ir para curtir o basquete”.

Onze anos depois de estrear na NBA, o nome dele voltou a circular no basquete por tudo, menos por basquete. Essa talvez seja a única parte da história em que os dois lados concordam.

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