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Como Klay Thompson se encaixa ao lado de Giannis e Bam

Hoop78 22 de Agosto de 2026

Klay Thompson resolve o problema mais evidente do Heat de Giannis Antetokounmpo e Bam Adebayo: espaço. Miami perdeu volume de arremesso na troca que trouxe o grego e ficou com dois astros que vivem dentro do garrafão. O veterano chega para puxar marcador para longe da cesta e abrir o caminho que os dois precisam.

Direto ao ponto
  • Contrato de dois anos e cerca de US$ 13 milhões, com opção do jogador no segundo ano.
  • Em 2025-26, Thompson acertou 38,3% de três em 7,6 tentativas por jogo, ao longo de 69 partidas.
  • Miami mandou Tyler Herro a Milwaukee na troca por Giannis e ainda perdeu Norman Powell na free agency.
  • Adebayo converteu 31,8% de três em 5,5 tentativas por jogo, o pior índice do elenco.
  • O Heat terminou 2025-26 com 43 vitórias e 39 derrotas, no quarto play-in seguido.

O preço que Miami pagou no perímetro

Para ficar com o melhor jogador da troca mais barulhenta da offseason, o Heat entregou justamente o que sustentava seu ataque de fora. Herro, Jaime Jaquez Jr., Kel'el Ware e Kasparas Jakucionis foram para o Bucks. Powell saiu como agente livre. Sobrou um elenco montado para atacar a cesta, liderado por dois jogadores que fazem exatamente isso.

A conta do que evaporou é direta: Powell subia para 7,1 arremessos de três por jogo e Herro para 6,7, quase 14 tentativas por noite que saíram pela porta no mesmo verão. Thompson e Tim Hardaway Jr., os dois reforços de perímetro, somam 14,5. Miami não melhorou o ataque de fora, reconstruiu o que tinha, e essa distinção explica a urgência da contratação que o site cobriu quando o buyout com o Mavericks saiu.

O desenho ficou desconfortável enquanto a vaga esteve aberta. Antetokounmpo sempre rendeu mais cercado de arremessadores confiáveis, e Adebayo opera no meio da quadra. Com os dois juntos, a defesa adversária ganha licença para fechar o garrafão e apostar que ninguém castiga de longe.

Quem sobrou para arremessar de três

A conversa em Miami virou aproveitamento, e essa é a leitura errada. O elenco tem gente que acerta. O que ele não tinha era gente disposta a subir para o arremesso muitas vezes por noite, que é o que obriga a defesa a sair do garrafão.

JogadorTentativas de três por jogo
Klay Thompson
reforço, vindo do Mavericks
7,6
38,3% de três
 
Tim Hardaway Jr.
reforço, vindo do Nuggets
6,9
40,7% de três
 
Bam Adebayo
pivô titular
5,5
31,8% de três
 
Andrew Wiggins
ala titular
4,9
41,4% de três
 
Nikola Jovic
ala de rotação
3,6
26,9% de três
 
Davion Mitchell
armador titular
3,3
39,5% de três
 

Thompson entra como o maior volume da rotação, 7,6 por jogo, e o único acima de sete. Wiggins acerta mais, 41,4%, mas em 4,9 tentativas, e Adebayo é o caso mais teimoso: sobe 5,5 vezes por noite com 31,8% de aproveitamento, o que dá à defesa a chance de deixá-lo arremessar de propósito.

Aos 36 anos, o arremesso ainda funciona?

A dúvida legítima é a idade. Thompson chega a Miami depois de quatro temporadas completas desde que voltou das cirurgias no joelho e no tendão de Aquiles, e vale perguntar se a mão dele começou a falhar ou se o que mudou foi outra coisa.

TemporadaTentativas de três por jogo
2022-23
no Warriors
10,6
41,2% de três
 
2023-24
no Warriors
9,0
38,7% de três
 
2024-25
no Mavericks
7,7
39,1% de três
 
2025-26
no Mavericks
7,6
38,3% de três
 

A pontaria não cedeu. O aproveitamento oscilou entre 38,3% e 41,2% nas quatro temporadas, faixa de arremessador de elite em qualquer idade. O que encolheu foi o espaço dentro do ataque: de 10,6 tentativas por noite em 2022-23 para 7,6 na última, efeito do papel menor em Dallas. Miami está comprando justamente essa diferença.

Por que o marcador não larga Klay

Thompson não é mais o segundo homem de um ataque campeão. O que ele mantém é a reputação, e reputação move defesa. São 2.899 bolas de três na carreira, quarto lugar na história da NBA, o tipo de número que faz um marcador seguir o jogador até a linha lateral em vez de largar e ajudar no garrafão. É essa ajuda que Antetokounmpo passou a carreira inteira encontrando pela frente e que Miami quer eliminar.

Dentro do vestiário, o discurso é de que nada disso era emergência. Adebayo já tinha rebatido a ideia de que o time depende de contratar arremessador para funcionar, antes de Thompson entrar no radar: "Já fizemos muito mais com muito menos", disse o pivô.

Do outro lado, o próprio Thompson explicou em transmissão ao vivo o que procurava antes de escolher o destino, e a resposta diz por que ele topou um papel menor.

Quero disputar um título. Não necessariamente ganhar mais um, mas ter a chance de ir atrás.

Klay Thompson, ala do Heat

O que ainda pode dar errado

O encaixe tem duas contas em aberto. A primeira é defensiva: Thompson não é mais o defensor de ponta que foi no Warriors, e Miami vai precisar escondê-lo em séries de playoff. A segunda é de minutos, porque a projeção mais comum coloca Wiggins e Hardaway Jr. no time titular e Thompson saindo do banco, o que reduz o tempo dele ao lado de Antetokounmpo justamente quando o espaçamento mais faz falta.

Nada disso apaga o motivo da contratação. Miami segurou a última ficha do teto duro a offseason inteira, recusou gastá-la em outros nomes e escolheu comprar espaço. Se a dupla que aparece entre as melhores da liga em 2026-27 for parar na final, vai ser por causa de arremessos que nenhum dos dois vai tomar.

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