Klay Thompson resolve o problema mais evidente do Heat de Giannis Antetokounmpo e Bam Adebayo: espaço. Miami perdeu volume de arremesso na troca que trouxe o grego e ficou com dois astros que vivem dentro do garrafão. O veterano chega para puxar marcador para longe da cesta e abrir o caminho que os dois precisam.
- Contrato de dois anos e cerca de US$ 13 milhões, com opção do jogador no segundo ano.
- Em 2025-26, Thompson acertou 38,3% de três em 7,6 tentativas por jogo, ao longo de 69 partidas.
- Miami mandou Tyler Herro a Milwaukee na troca por Giannis e ainda perdeu Norman Powell na free agency.
- Adebayo converteu 31,8% de três em 5,5 tentativas por jogo, o pior índice do elenco.
- O Heat terminou 2025-26 com 43 vitórias e 39 derrotas, no quarto play-in seguido.
O preço que Miami pagou no perímetro
Para ficar com o melhor jogador da troca mais barulhenta da offseason, o Heat entregou justamente o que sustentava seu ataque de fora. Herro, Jaime Jaquez Jr., Kel'el Ware e Kasparas Jakucionis foram para o Bucks. Powell saiu como agente livre. Sobrou um elenco montado para atacar a cesta, liderado por dois jogadores que fazem exatamente isso.
A conta do que evaporou é direta: Powell subia para 7,1 arremessos de três por jogo e Herro para 6,7, quase 14 tentativas por noite que saíram pela porta no mesmo verão. Thompson e Tim Hardaway Jr., os dois reforços de perímetro, somam 14,5. Miami não melhorou o ataque de fora, reconstruiu o que tinha, e essa distinção explica a urgência da contratação que o site cobriu quando o buyout com o Mavericks saiu.
O desenho ficou desconfortável enquanto a vaga esteve aberta. Antetokounmpo sempre rendeu mais cercado de arremessadores confiáveis, e Adebayo opera no meio da quadra. Com os dois juntos, a defesa adversária ganha licença para fechar o garrafão e apostar que ninguém castiga de longe.
Quem sobrou para arremessar de três
A conversa em Miami virou aproveitamento, e essa é a leitura errada. O elenco tem gente que acerta. O que ele não tinha era gente disposta a subir para o arremesso muitas vezes por noite, que é o que obriga a defesa a sair do garrafão.
| Jogador | Tentativas de três por jogo |
|---|---|
Klay Thompson reforço, vindo do Mavericks | 7,6 38,3% de três |
Tim Hardaway Jr. reforço, vindo do Nuggets | 6,9 40,7% de três |
Bam Adebayo pivô titular | 5,5 31,8% de três |
Andrew Wiggins ala titular | 4,9 41,4% de três |
Nikola Jovic ala de rotação | 3,6 26,9% de três |
Davion Mitchell armador titular | 3,3 39,5% de três |
Thompson entra como o maior volume da rotação, 7,6 por jogo, e o único acima de sete. Wiggins acerta mais, 41,4%, mas em 4,9 tentativas, e Adebayo é o caso mais teimoso: sobe 5,5 vezes por noite com 31,8% de aproveitamento, o que dá à defesa a chance de deixá-lo arremessar de propósito.
Aos 36 anos, o arremesso ainda funciona?
A dúvida legítima é a idade. Thompson chega a Miami depois de quatro temporadas completas desde que voltou das cirurgias no joelho e no tendão de Aquiles, e vale perguntar se a mão dele começou a falhar ou se o que mudou foi outra coisa.
| Temporada | Tentativas de três por jogo |
|---|---|
2022-23 no Warriors | 10,6 41,2% de três |
2023-24 no Warriors | 9,0 38,7% de três |
2024-25 no Mavericks | 7,7 39,1% de três |
2025-26 no Mavericks | 7,6 38,3% de três |
A pontaria não cedeu. O aproveitamento oscilou entre 38,3% e 41,2% nas quatro temporadas, faixa de arremessador de elite em qualquer idade. O que encolheu foi o espaço dentro do ataque: de 10,6 tentativas por noite em 2022-23 para 7,6 na última, efeito do papel menor em Dallas. Miami está comprando justamente essa diferença.
Por que o marcador não larga Klay
Thompson não é mais o segundo homem de um ataque campeão. O que ele mantém é a reputação, e reputação move defesa. São 2.899 bolas de três na carreira, quarto lugar na história da NBA, o tipo de número que faz um marcador seguir o jogador até a linha lateral em vez de largar e ajudar no garrafão. É essa ajuda que Antetokounmpo passou a carreira inteira encontrando pela frente e que Miami quer eliminar.
Dentro do vestiário, o discurso é de que nada disso era emergência. Adebayo já tinha rebatido a ideia de que o time depende de contratar arremessador para funcionar, antes de Thompson entrar no radar: "Já fizemos muito mais com muito menos", disse o pivô.
Do outro lado, o próprio Thompson explicou em transmissão ao vivo o que procurava antes de escolher o destino, e a resposta diz por que ele topou um papel menor.
Quero disputar um título. Não necessariamente ganhar mais um, mas ter a chance de ir atrás.
O que ainda pode dar errado
O encaixe tem duas contas em aberto. A primeira é defensiva: Thompson não é mais o defensor de ponta que foi no Warriors, e Miami vai precisar escondê-lo em séries de playoff. A segunda é de minutos, porque a projeção mais comum coloca Wiggins e Hardaway Jr. no time titular e Thompson saindo do banco, o que reduz o tempo dele ao lado de Antetokounmpo justamente quando o espaçamento mais faz falta.
Nada disso apaga o motivo da contratação. Miami segurou a última ficha do teto duro a offseason inteira, recusou gastá-la em outros nomes e escolheu comprar espaço. Se a dupla que aparece entre as melhores da liga em 2026-27 for parar na final, vai ser por causa de arremessos que nenhum dos dois vai tomar.



