A família Buss decidiu vender os 17,8% que ainda tinha do Lakers ao grupo de Bob Iger e Josh Kushner, o que tira Jeanie Buss do cargo de governadora por cair abaixo dos 15% que a NBA exige. A defesa de Jeanie contesta e sustenta que a votação da família é nula sem o aval das cotrustees.
- A operação usa a avaliação de US$ 12,5 bilhões, recorde do esporte americano.
- Iger e Kushner passam a controlar cerca de 83% da franquia.
- Mark Walter tinha comprado o controle havia 14 meses, por US$ 10 bilhões.
- O trust precisava de quatro votos entre seis irmãos, e ao menos cinco aprovaram.
- O conselho de governadores da NBA se reúne em 15 e 16 de setembro.
A saída de uma família que mandava desde 1979
Jerry Buss comprou a franquia em maio de 1979 e transformou o time no produto mais vendável do basquete. Quarenta e sete anos depois, o trust da família acionou a cláusula de acompanhamento da venda feita por Mark Walter e colocou na mesa a última fatia que restava.
Em comunicado, a família escreveu: "Decidimos como família vender as ações restantes do Buss Family Trust ao grupo de Bob Iger, como parte da transação em andamento. Amamos o Lakers, amamos os torcedores e vamos continuar apoiando Los Angeles, mas é hora de aproveitar esta oportunidade para sair com elegância enquanto ainda podemos."
Iger e Kushner chegam a cerca de 83%
A conta é direta. Iger e Kushner compraram de Walter algo perto de 65% da franquia na maior venda já registrada no esporte americano, com avaliação de US$ 12,5 bilhões. Somando os 17,8% dos Buss, a dupla passa a controlar por volta de 83% do time. Patrick Soon-Shiong segue como sócio minoritário.
O detalhe que dá o tamanho da coisa: Walter tinha comprado o controle havia apenas 14 meses, numa operação avaliada em US$ 10 bilhões. A franquia mudou de dono duas vezes em pouco mais de um ano, e ficou US$ 2,5 bilhões mais cara no caminho.
Por que Jeanie Buss perde o cargo
A regra da NBA é objetiva: quem ocupa a cadeira de governador de um time precisa ter no mínimo 15% de participação. Com a venda dos 17,8%, Jeanie Buss fica sem lastro para a função que exerce desde 2013.
O complicador é que, ao vender o controle a Walter, ela tinha garantido por acordo a permanência no posto por vários anos. Iger disse ao California Post ter "toda a intenção de honrar o acordo", só que o acordo esbarra no piso de participação. Intenção não substitui percentual.
A contestação: "seria e é nula"
Segundo a apuração da ESPN, ao menos cinco dos seis irmãos votaram pela venda, e o trust precisava de quatro votos entre os seis para acionar a cláusula. Adam Streisand, que representa Jeanie Buss, discorda do efeito prático dessa votação.
"Nenhuma venda da participação de 17,8% do JAB Trust no Los Angeles Lakers, Inc. pode ser efetivada sem a aprovação das atuais cotrustees, ou seja, Jeanie, Janie e Joey Buss", escreveu, em declaração divulgada à CNBC. A defesa sustenta que as cotrustees estão obrigadas a votar de modo a preservar o piso de 15% que mantém Jeanie como proprietária controladora, e que qualquer votação em sentido contrário "seria e é nula".
O que fica em aberto
A disputa agora é de interpretação de trust, não de basquete, e se apoia numa ordem judicial de 2017 que a defesa de Jeanie usa como base. A próxima reunião do conselho de governadores da liga está marcada para 15 e 16 de setembro, e é o primeiro momento em que a NBA vai precisar dizer alguma coisa sobre quem senta na cadeira do Lakers.
Enquanto isso, o comprador já tem nome e patrimônio conhecidos, e Kushner chega aos 41 anos com US$ 5,2 bilhões. O que ainda não tem desfecho é a saída da família que definiu a franquia por quase meio século, e que sai brigada consigo mesma.



