A troca que levaria Kawhi Leonard ao Raptors está congelada desde 30 de junho e pode não acontecer. Toronto e Clippers acertaram o negócio, mas o escritório da NBA avisou que o Raptors assumiria sozinho o risco de qualquer punição no caso Aspiration. Diante disso, a franquia canadense preferiu esperar.
- O Clippers receberia Brandon Ingram, Gradey Dick e cinco escolhas de draft por Leonard.
- A investigação apura US$ 28 milhões pagos ao ala pela Aspiration entre 2022 e 2025.
- Leonard tem US$ 50,3 milhões no último ano de contrato, na 2026-27.
- Punição por burla de teto vai a árbitro neutro e pode arrastar até 2027.
- Steve Ballmer perdeu os US$ 60 milhões que investiu na Aspiration, que faliu em 2025.
O que Toronto topou pagar
O pacote é dos maiores que uma franquia montou por um jogador de 35 anos. Pelo ala, o Raptors mandaria para Los Angeles:
- Brandon Ingram
- Gradey Dick
- Duas primeiras rodadas sem proteção, em 2031 e 2033
- Uma troca de escolha em 2027
- Duas segundas rodadas, em 2030 e 2033
Do outro lado, só Leonard. Ele entra no último ano de contrato, com US$ 50,3 milhões na 2026-27, e está elegível a uma extensão de duas temporadas e US$ 123,7 milhões. Nos papéis, era o movimento que devolveria a Toronto o jogador que entregou o título de 2019.
A franquia travou o próprio negócio
Quem puxou o freio foi o próprio comprador. Em comunicado, o Raptors explicou o motivo: "O escritório da liga nos informou que, como resultado da investigação em curso envolvendo o Clippers, nós assumiríamos o risco de qualquer desdobramento que atingisse o Kawhi. Diante disso, vamos aguardar até que a investigação da liga termine."
A frase parece burocrática, mas descreve um cenário concreto: se a NBA anular o contrato de Leonard como parte da punição, não há mais o que trocar. Toronto teria entregado dois jogadores e cinco escolhas por um contrato que deixou de existir. O anúncio oficial não estabeleceu nenhum prazo.
A investigação que não tem data para acabar
O caso nasceu de uma série de reportagens do jornalista Pablo Torre e apura se o Clippers usou um contrato de publicidade de US$ 28 milhões com a Aspiration, um banco verde que faliu em 2025, para pagar Leonard por fora do teto salarial. A liga contratou o escritório Wachtell, Lipton, Rosen & Katz para tocar a apuração, que já passou de dez meses.
Os dois lados negam. O Clippers afirma que "não canalizou dinheiro para Kawhi Leonard por meio da Aspiration" e se apresenta como vítima de uma fraude do cofundador da empresa, Joe Sanberg. Ballmer perdeu os US$ 60 milhões que colocou no negócio. Leonard foi direto quando falou publicamente pela primeira vez: "A NBA vai fazer o trabalho dela. Nenhum de nós cometeu irregularidade." Sobre o contrato, rejeitou a versão de emprego fantasma: "Eu entendo o contrato inteiro e os serviços que eu tinha que prestar." Ele afirma ainda que a Aspiration lhe devia mais de US$ 7 milhões quando quebrou.
O detalhe que muda o relógio veio depois. Como apurou Baxter Holmes, da ESPN, punição por burla de teto não é decisão isolada do comissário: o acordo coletivo manda o caso a um árbitro neutro, com direito a recurso. Se Leonard ou a franquia contestarem, a novela atravessa a temporada e pode chegar a 2027. Adam Silver já avisou que o arsenal é grande, com "multas, escolhas de draft, suspensões, e por aí vai", e o tamanho possível dessas penas já foi medido pelo precedente do caso Joe Smith.
O congelamento não para no Kawhi
Enquanto a decisão não sai, a franquia inteira fica parada. O caso mais visível é o de Bennedict Mathurin, cujos direitos pertencem ao Clippers e que segue sem contrato na free agency porque o time não consegue fechar nada com a apuração aberta. Um elenco inteiro está refém de um parecer jurídico.
Quem perde se cair
Se o contrato for anulado e Leonard virar agente livre no meio de agosto, o mercado não tem como absorvê-lo: quase ninguém guardou espaço salarial a esta altura. Toronto ficaria sem o jogador e com os ativos de volta, Los Angeles ficaria sem a compensação e com o problema, e o ala perderia a única temporada que ainda lhe garante US$ 50 milhões. É raro um negócio em que a demora não favorece ninguém. Este é um deles.
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