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NBA põe investigadores no contrato de Gary Trent no Bucks

A NBA contratou um escritório de fora para apurar se o Bucks prometeu a Gary Trent Jr. os US$ 64 milhões antes, em troca de dois anos de salário baixo.

25 de setembro de 2026 4 min de leitura
NBA põe investigadores no contrato de Gary Trent no Bucks
Imagn Images
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A NBA contratou o escritório Hecker Fink para investigar o contrato de quatro anos e US$ 64 milhões que o Bucks deu a Gary Trent Jr. A liga quer saber se houve acordo de boca: o ala teria aceitado salários baixos em 2024 e 2025 com a promessa de ser recompensado depois, o que fere as regras do teto salarial.

Direto ao ponto
  • A ESPN revelou a apuração em 16 de julho, dia em que o contrato chegou à liga.
  • O acordo foi fechado em 11 de julho e tem as quatro temporadas garantidas.
  • Bucks e Klutch Sports não comentam, mas cooperam com as entrevistas, segundo duas fontes do The Athletic.
  • Em 2025-26, Trent teve média de 8,1 pontos e acertou 38,7% dos arremessos.

O que a NBA investiga no contrato de Gary Trent

A suspeita tem nome no acordo coletivo: acordo prévio. A regra proíbe que time e jogador combinem, fora do papel, um contrato futuro como compensação por aceitar ganhar menos agora. É o tipo de conversa que libera espaço na folha salarial de hoje e cobra a conta depois.

A novidade veio em 23 de setembro, em reportagem de Joe Vardon no The Athletic. A investigação, aberta em julho, ganhou um escritório de fora, o Hecker Fink, especializado em apurações nacionais. Um porta-voz da liga confirmou que o caso segue em andamento e não respondeu a mais perguntas. Não há prazo para uma conclusão.

Se os investigadores da liga encontrarem prova de que o Bucks e Trent são culpados do mesmo que o Clippers e Leonard, a punição pode ser tão severa quanto, se não pior.

Joe Vardon, jornalista do The Athletic

Os salários de Trent no Bucks, de 2024 a 2026

O que acendeu o alerta foi a sequência dos três contratos com o mesmo time. Vale ver o salário de cada temporada lado a lado.

TemporadaSalário (US$ milhões)
2024-25
salário mínimo de veterano
2,6
11,1 pontos por jogo
 
2025-26
dois anos por US$ 7,5 milhões, com opção
3,7
8,1 pontos por jogo
 
2026-27
quatro anos por US$ 64 milhões, garantidos
15,2
primeiro ano do contrato novo
 

O salário quadruplicou justamente depois da pior temporada de Trent desde o ano de estreia. Em 2024-25 ele marcou 11,1 pontos por jogo com 43% de acerto; no ano seguinte caiu para 8,1 pontos e 38,7%. Nos dois contratos baratos havia opção do jogador, e ele recusou as duas, o que o devolveu à free agency com os direitos de renovação do Bucks na mão.

Por que a liga desconfiou do aumento

Brian Windhorst, da ESPN, explicou no programa NBA Today, em 17 de julho, que o problema não é o valor em si, e sim quem pagou. “O que levantou a bandeira é que ele seria visto pela liga como pago acima do mercado pelo mesmo time que pagou abaixo do mercado a ele nos últimos dois anos”, disse.

O mesmo Windhorst lembrou que garantir quatro anos inteiros a um jogador de rotação foge do padrão, e apontou o limite da investigação: “Provar qualquer coisa aqui seria difícil. Seria preciso algum tipo de rastro em papel, documentação, o que for, e a liga pode não encontrar nada.”

O que o Bucks alega em defesa do contrato

Segundo o The Athletic, o Bucks tem dito a dirigentes de outros times que US$ 15 milhões por ano era o valor de mercado de Trent, e que guardava projeções internas de contratos da free agency mostrando isso. Os mesmos rivais notaram outro detalhe: o acordo só saiu em 11 de julho, quando quase ninguém na liga ainda tinha espaço no teto ou vaga no elenco para disputar o jogador.

O contrato chega em um Bucks já em reconstrução, depois de perder Giannis Antetokounmpo para o Heat. Trent é agenciado pela Klutch Sports, a agência de Rich Paul, que também está sendo ouvida pelos investigadores.

A punição do Clippers no caso Kawhi e o precedente de Joe Smith

A comparação que pesa sobre o Bucks é recente. Em 2 de setembro, a liga puniu o Clippers pelo caso Kawhi Leonard com multa de US$ 30 milhões, a perda de cinco escolhas de primeira rodada e suspensões que chegaram ao dono, Steve Ballmer. Aquela apuração ficou com outro escritório, o Wachtell Lipton.

O caso mais parecido com o de Trent, porém, é o de Joe Smith. Em 2000, o Timberwolves foi pego com um acordo secreto que prometia ao ala um contrato grande depois de uma sequência de salários baixos. O contrato foi anulado, o time pagou US$ 3,5 milhões e perdeu cinco escolhas de primeira rodada, duas delas devolvidas mais tarde.

Sem documento, a liga não tem caso, e até agora nenhum apareceu. O que existe de concreto é um jogador que ganhou US$ 6,3 milhões em dois anos, recusou duas opções e assinou por US$ 64 milhões garantidos com o mesmo time.

Com informações de ESPN e The Athletic, conferidas em 24 de setembro de 2026.

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