A NBA puniu o Clippers e Kawhi Leonard por burlar o teto salarial. O time perdeu cinco escolhas de primeira rodada, pagou a maior multa da história da liga e viu o dono Steve Ballmer ser suspenso por um ano. A decisão saiu nesta quarta e destrava a troca do ala para o Raptors.
- A conta soma US$ 30 milhões para a franquia e US$ 700 mil para Leonard.
- Gillian Zucker pegou um ano sem salário e Lawrence Frank, seis meses, também sem receber.
- Dennis Robertson, tio e ex-empresário de Leonard, está banido de negociar com times por cinco anos.
- A apuração achou quatro empresas envolvidas: Aspiration, Boingo, Daktronics e Lockton.
- A franquia fica sob programa de fiscalização da liga por cinco anos.
O que a investigação achou
A apuração ficou com o escritório Wachtell, Lipton, Rosen & Katz e começou em setembro de 2025. O comunicado oficial da liga fala em "um padrão de má conduta e múltiplas violações relevantes" e trata o Clippers como reincidente nas regras de burla ao teto.
Segundo a NBA, o time criou oportunidades de renda fora de quadra para o ala junto a quatro empresas que faziam negócio com a franquia, caso do acordo paralelo com a Daktronics. A liga diz que a franquia intermediou os patrocínios, ofereceu negócio próprio como isca para as empresas assinarem, pagou despesas pessoais do jogador e do entorno dele e deixou de reportar os pedidos irregulares.
Estou profundamente decepcionado com a violação escancarada das nossas regras e com as falhas institucionais e de liderança do Clippers. A severidade das punições reflete a gravidade das violações.
As punições, do dono ao empresário
A liga não parou na franquia. Quatro nomes saíram da decisão com afastamento próprio, e o tempo de cada um separa quem a NBA tratou como executivo negligente de quem ela tratou como peça central do esquema.
| Quem | Meses de punição |
|---|---|
Dennis Robertson tio e ex-empresário de Leonard | 60 banido de negociar com times |
Steve Ballmer dono do Clippers | 12 fora de toda atividade de liga e time |
Gillian Zucker presidente de operações de negócio | 12 sem salário |
Lawrence Frank presidente de operações de basquete | 6 sem salário |
Robertson leva a pena mais longa e é o único que não volta em 2027: são cinco anos sem poder tratar de negócio com qualquer time. Ballmer e Zucker ficam doze meses fora, mas só ela deixa de receber no período. Frank, com seis meses, sai como o mais leve dos quatro, punido por aprovar despesas que a liga considera indevidas.
O Clippers rejeita e promete brigar
A franquia respondeu no mesmo dia e não escondeu o tom. "Rejeitamos com veemência as conclusões da NBA, que são resultado de uma investigação fortemente enviesada", diz o comunicado do time divulgado à ESPN, que promete contestar "por todos os caminhos disponíveis".
Só que a liga já fechou essa porta. NBA e NBPA assinaram um acordo declarando as punições finais e vinculantes para todas as partes, o que tira do Clippers a arbitragem que amenizou a pena do Timberwolves em 2000. A Wachtell Lipton segue recebendo material e a liga avisou que pode voltar ao assunto.
Por que a punição é a maior da história
Até esta quarta, o caso Joe Smith era a régua. Em 2000 o Timberwolves perdeu cinco escolhas de primeira rodada e pagou US$ 3,5 milhões por um acordo secreto com o ala, e depois recuperou duas dessas escolhas ao cooperar com a liga. O contrato do jogador foi anulado.
Vinte e seis anos depois, o que o Hoop78 já tinha mapeado como punição histórica em potencial veio ainda mais pesado. A multa é quase nove vezes maior, as escolhas de 2029 a 2033 saem sem promessa de devolução e, pela primeira vez, um dono é afastado por burla ao teto. Leonard, ao contrário de Smith, mantém o contrato de pé.
O que muda para Kawhi e para o Raptors
A troca acertada em junho e travada desde então pela investigação agora pode ser fechada. Leonard vai para Toronto em um pacote que manda Brandon Ingram e Gradey Dick para Los Angeles, mais escolhas de primeira rodada em 2031 e 2033, escolhas de segunda em 2030 e 2033 e o direito a uma troca de posição em 2027.
O ala tratou o assunto como capítulo encerrado. "Assinei meu contrato com o Clippers e os acordos em questão de boa-fé", disse Leonard, que fala em virar a página na volta a Toronto. Para a franquia de Los Angeles a página não vira tão rápido: são cinco anos sob a lupa da liga, um mercado inteiro de escolhas comprometido e um dono que só reaparece em setembro de 2027.



