A NBA tem recordes que não cabem em nenhuma lista de melhores nem de piores. Um técnico de 45 anos que se escalou para jogar, uma partida com seis prorrogações, um pivô que passou 1.205 jogos sem ser expulso por faltas. Todos são reais, todos estão nos registros da liga, e quase nenhum é deste século.
- Nat Hickey entrou em quadra aos 45 anos e 363 dias, e era o técnico do time.
- O jogo mais longo da história teve seis prorrogações, em 1951.
- Pistons e Nuggets somaram 370 pontos numa única partida, em 1983.
- Wilt Chamberlain nunca foi expulso por faltas em 1.205 jogos.
- O recorde bizarro mais recente desta lista é de 1986.
O técnico que se escalou aos 45 anos
Em janeiro de 1948, Nat Hickey treinava o Providence Steamrollers e resolveu se inscrever como jogador. Entrou em quadra no dia 27, contra o St. Louis Bombers, e marcou dois pontos. No dia seguinte jogou três minutos contra o Knicks. Tinha 45 anos e 363 dias, dois dias antes do aniversário de 46.
Segue sendo o jogador mais velho a atuar na história da liga, e o Guinness reconhece a marca. Não foi homenagem nem despedida: o time era ruim, faltava gente, e o técnico decidiu que ele mesmo resolvia.
Os dois jogos que não acabavam
Em 6 de janeiro de 1951, Indianapolis Olympians e Rochester Royals jogaram seis prorrogações. O placar final foi 75 a 73. Seis períodos extras para somar 148 pontos, o que dá a dimensão do basquete daquela época, antes do relógio de posse.
O oposto exato aconteceu em 13 de dezembro de 1983, quando o Pistons venceu o Nuggets por 186 a 184, em três prorrogações. São 370 pontos numa partida, recorde que resiste há mais de quarenta anos. Isiah Thomas fez 47 pontos e 17 assistências, Kiki VanDeWeghe fez 51 e Alex English, 47. Quatro jogadores passaram de 40 no mesmo jogo.
Os extremos de altura
Manute Bol e Gheorghe Muresan dividem o posto de mais altos da história, os dois com 2,31 metros. Na outra ponta está Muggsy Bogues, com 1,60 metro, que não foi curiosidade de fim de banco: é o líder histórico do Hornets em assistências, com 5.557, e em roubos de bola, com 1.067.
E os dois jogaram juntos. No Washington Bullets de 1987-88, Bol e Bogues dividiram o mesmo elenco, com 71 centímetros de diferença entre eles, e apareceram juntos em três capas de revista. O clube não escondia o motivo. Bogues resumiu anos depois: "Era um número de atração".
E há o caso que junta as duas coisas. Em 8 de fevereiro de 1986, Spud Webb, de 1,70 metro, venceu o concurso de enterradas batendo o companheiro de Hawks Dominique Wilkins, campeão do ano anterior e 23 centímetros mais alto. Webb tirou dois 50, nota máxima, na rodada final.
As 1.205 partidas sem uma expulsão
Wilt Chamberlain jogou 14 temporadas, somou 1.205 partidas entre temporada regular e playoffs, e nunca foi expulso por excesso de faltas. Não é sorte: ele passava mais de 40 minutos em quadra por jogo, marcando os maiores adversários da liga, e evitava a falta de propósito, por vaidade declarada.
É o recorde mais improvável da lista, porque depende de repetir a mesma escolha em todos os jogos de uma carreira inteira.
Quando cada recorde foi feito
Cinco dos sete têm data marcada, do mais recente para o mais antigo. Os recordes de altura ficam de fora desta conta porque são de carreira inteira, e não de um dia.
Por que quase nenhum é deste século
Porque a liga profissionalizou o que antes era improviso. Relógio de posse, limite de faltas, controle de elenco e medicina esportiva tiraram da NBA justamente as situações que geram recorde esquisito. Time não fica sem jogador a ponto de escalar o técnico, e jogo não passa de duas prorrogações com a frequência de antes.
Se quiser continuar por esse caminho, o site tem os recordes mais vergonhosos da história, que é a lista dos piores, e oito recordes de respeito pouco conhecidos, que é a dos admiráveis. Esta aqui fica com o que não é nem uma coisa nem outra.



