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Quanto o Flamengo diz perder com o fim das bets no STF

No STF, o Flamengo disse que o fim das bets custa R$ 430 milhões por ano e ameaça 1.200 empregos. Veja o que São Paulo e outros times pediram a Fux.

3 de novembro de 2026 5 min de leitura
Quanto o Flamengo diz perder com o fim das bets no STF
Marcelo Gonçalves/Fluminense FC
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O Flamengo disse ao Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (3), que perde cerca de R$ 430 milhões por ano com o fim das bets, somando o futebol e os esportes olímpicos. Quem fez a conta foi o vice-presidente geral, Flávio Willeman, na audiência pública conduzida pelo ministro Luiz Fux, em Brasília.

Direto ao ponto
  • A Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026, proibiu as apostas de quota fixa no país.
  • O São Paulo disse ter recebido R$ 101 milhões de uma bet entre janeiro e setembro de 2026.
  • Dez times se inscreveram para falar, e seis foram ouvidos antes de a audiência acabar mais cedo.
  • A AGU disse que as casas autorizadas movimentaram R$ 620 bilhões em apostas em 2025.
  • Fux é o relator da ADI 8027 e ainda não decidiu o pedido para suspender a MP.

De onde vem a conta de R$ 430 milhões do Flamengo

Willeman foi o primeiro representante de time a falar depois da abertura de Fux. Ligou a cifra aos mais de 1.200 funcionários do Flamengo e atacou o argumento central do governo, o de que proibir protege o apostador:

A medida provisória em nada impede o crescimento das apostas ilegais.

Flávio Willeman, vice-presidente geral do Flamengo, no STF, em 3 de novembro de 2026

O valor é maior que os R$ 269 milhões que a Betano pagou ao Flamengo em 2025, segundo a consultoria Sports Value, porque soma os esportes olímpicos ao futebol. Os relatos da audiência não trazem a divisão entre as duas partes. Na mesma conta da Sports Value, o time mais dependente das bets não é o Flamengo, e sim o São Paulo.

O pedido do Flamengo foi de previsibilidade, mais do que de dinheiro. Willeman cobrou, segundo o Lance!, “a garantia de que contratos não serão rompidos do dia para a noite a partir da edição de uma medida provisória”.

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O que São Paulo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Corinthians pediram a Fux

São Paulo. Daniela Maiolini, representante do tricolor paulista, disse que a bet pagou cerca de R$ 101 milhões de janeiro a setembro, perto de 30% das receitas do período, em contrato que ia até 2030. Pediu que o STF preserve os acordos assinados antes da MP ou fixe um prazo de adaptação. “A ruptura da segurança jurídica tem efeitos ainda mais drásticos”, afirmou.

Fluminense e Botafogo. Os dois atacaram o prazo de dez dias que a MP deu para as marcas saírem das camisas. O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, comparou a medida com a regulação dos países europeus. Bichara Abidão Neto, pelo Botafogo, disse que parte do prejuízo já aconteceu e não volta, mesmo que a MP caia.

Cruzeiro. José Francisco Manssur criticou o governo por não ouvir a Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, na reunião do Palácio do Planalto que fechou a MP: “Mesma coisa que discutir reflorestamento sem chamar o Ibama”.

Corinthians. Pedro Luis Soares disse que a verba “vai fazer falta de uma forma que coloque em risco todas as categorias”, da base ao futebol feminino, e que acordos de pagamento firmados com a União ficaram comprometidos. O executivo de marketing Vinicius Manfredini ofereceu o alcance dos times em campanhas contra o vício em apostas.

Os atletas também foram ouvidos. José de Assis Aragão, da Fenapaf, a federação dos jogadores profissionais, lembrou que a categoria soma mais de 88 mil atletas: “Todos falam dos clubes, das instituições, mas ninguém fala dos atletas”.

O que o governo respondeu aos times no STF

O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu a constitucionalidade da MP com o tamanho do mercado: R$ 620 bilhões apostados nas plataformas autorizadas em 2025, com receita de R$ 36,9 bilhões para as operadoras. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, citou dados da Unifesp: 10,9 milhões de brasileiros apostam de forma arriscada e 1,4 milhão têm sinais de transtorno do jogo.

O argumento conversa com o de quem, dentro do futebol, já via o dinheiro das apostas como passageiro. É a tese do ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, para quem a receita nunca foi estável.

Quando Fux decide se as bets voltam às camisas

Não há data. Fux abriu a audiência dizendo que se convenceu, em 2024, de que a ludopatia “é um problema de saúde pública” e “deveria ser banida do cenário dos esportes nacionais”. Na mesma fala, disse que “segurança jurídica hoje é um valor inestimável”, que é o argumento dos times.

A audiência, prevista para ir até 17h30, terminou mais cedo por causa de uma sessão do plenário do STF. Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa estavam inscritos para a tarde. O próximo passo é a decisão de Fux sobre a liminar na ADI 8027, da Associação Nacional de Jogos e Loterias, que pede a suspensão imediata da MP. Enquanto ela não sai, a proibição vale, e a MP ainda depende do Congresso para virar lei. Para os times mais endividados da Série A, a resposta de Fux define o orçamento de 2027.

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Falas da audiência conforme a Gazeta do Paraná, o Lance!, o Times Brasil, o Congresso em Foco, o Diário do Centro do Mundo e o Metrópoles, em 3 de novembro de 2026; patrocínio do Flamengo em 2025 conforme a Sports Value; data da MP conforme o Ministério da Fazenda.

Por Redação Hoop78. Como apuramos e corrigimos: política editorial.

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