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US$ 7 milhões por dia: a briga que travou o Inside the NBA

A Paramount comprou a Warner por US$ 111 bilhões, a Justiça travou o negócio até 2027 e a espera custa US$ 7 milhões por dia.

8 de setembro de 2026 4 min de leitura
US$ 7 milhões por dia: a briga que travou o Inside the NBA
Foto: NBA
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A Paramount comprou a Warner Bros. Discovery por cerca de US$ 111 bilhões, e o negócio está parado na Justiça até março de 2027. No meio disso está o TNT Sports, que produz o Inside the NBA e acabou de comprar os direitos da FIBA. A partir de outubro, cada dia de espera custa US$ 7 milhões à compradora.

Direto ao ponto
  • A Paramount pediu caução de US$ 1,88 bilhão aos 12 estados e ao sindicato dos roteiristas.
  • O prazo do depósito é 30 de setembro, e o julgamento começa em 2 de março.
  • O TNT Sports produz o programa em Atlanta e licencia para ESPN e ABC.
  • Onze anos de contrato, licença global sem taxa e US$ 70 milhões por ano em conteúdo.
  • Charles Barkley disse que 2026-27 é o último ano dele no programa.

A conta de esperar começa a correr em 1º de outubro

O atraso tem preço fixado em contrato, e a Paramount já colocou os números na mesa do juiz. Vale olhar quanto custa cada parte da espera.

ItemO que éValor
Compra da WarnerUS$ 31 por ação, acordo de fevereiroUS$ 111 bi
Caução pedidaaos 12 estados e ao sindicato, até 30/09US$ 1,88 bi
Multa diáriaaos acionistas da Warner, desde 1º/10US$ 7 mi
Soma até o julgamentode outubro a março de 2027US$ 1,3 bi
Custo de financiamentoestimativa da própria ParamountUS$ 190 mi

A caução é o valor que a Paramount quer receber se ganhar a ação, e o pedido foi reapresentado ao juiz nesta terça. A multa diária, essa, não depende do resultado: ela corre desde 1º de outubro e chega a US$ 1,3 bilhão até o julgamento acabar. Somando tudo, a demora custa quase US$ 1,5 bilhão, o equivalente a um quarto do que o Celtics foi vendido em 2025.

O Inside the NBA é produzido pela Warner e exibido pela ESPN

Quando a NBA saiu do TNT, o programa não saiu junto: ele continua sendo produzido pelo TNT Sports, nos estúdios de Atlanta, e vai ao ar licenciado para ESPN e ABC desde a temporada 2025-26. Em junho, Ernie Johnson, Charles Barkley, Kenny Smith e Shaquille O’Neal comandaram a cobertura de uma final da NBA pela primeira vez na história do programa. O acordo entre a liga e a Warner tem 11 anos, inclui licença global de conteúdo sem taxa e paga US$ 70 milhões por ano por material para o NBA.com, o aplicativo e a NBA TV.

É esse arranjo que muda de dono se a fusão passar. O TNT Sports deve ser absorvido pelo CBS Sports, que já tem NFL, March Madness, MLB, NHL, golfe e UFC. E há um detalhe de calendário: em 3 de setembro, no The Bill Simmons Podcast, Barkley avisou que a temporada 2026-27 é a última dele. “Neste momento, a não ser que o Ernie mude de ideia, o ano que vem é o meu último, 100%”, disse. Sobre o apresentador, foi direto: “Eu e o Ernie somos um pacote”.

O único motivo de eu ter ficado foi para que todo mundo dos bastidores mantivesse o emprego.

Charles Barkley, analista do Inside the NBA

Ele já tinha dito que ia parar aos 62 anos, o que aconteceu no ano passado, e explicou por que mudou de ideia: “Mal sabia eu que esses idiotas iam perder a NBA”. A mesa que faz o programa pode acabar antes de o comprador assumir o negócio.

O TNT Sports comprou a FIBA até 2029 no meio da negociação

Em março, com a fusão já assinada e contestada, o TNT Sports fechou os direitos exclusivos em inglês nos Estados Unidos para as competições de seleções da FIBA até 2029. O pacote inclui o Mundial Feminino deste ano, em Berlim, e o Mundial Masculino de 2027, no Catar, com jogos no TNT, no TBS, no truTV e conteúdo no HBO Max. A estreia foi em março, no pré-Mundial feminino em San Juan.

Isso põe a mesma empresa nos dois lados do basquete internacional. A FIBA é sócia da NBA na liga europeia que estreia em outubro de 2027, a mesma que fez a EuroLeague levantar 800 milhões de euros, e agora tem a vitrine americana das seleções nas mãos de uma empresa que está sendo comprada. Quem assumir o TNT Sports assume esse contrato junto, sem ter negociado nenhuma das duas pontas.

Nada disso muda o que o brasileiro assiste

Vale dizer com todas as letras: os direitos do TNT Sports na América Latina excluem Brasil e México, então nenhum jogo que passa aqui depende desse desfecho. O que está em jogo é outra coisa, e é o que sobra quando uma liga vende seus jogos para um lado e deixa a memória do outro. O Inside the NBA virou produto de uma empresa que a NBA já não paga para transmitir, produzido por quem perdeu os jogos, exibido por quem os comprou, e agora à espera de um juiz na Califórnia.

Apurado em 8 de setembro de 2026 no anúncio da parceria entre a NBA e a Warner, no comunicado do acordo com a FIBA e nas peças do processo antitruste.

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