O Brasil perdeu para a República Dominicana por 94 a 90 na quinta-feira, em Brasília, e encerrou a série invicta nas Eliminatórias do Mundial de 2027. A leitura fácil seria culpar a ausência de jogadores da NBA no elenco, mas ela não se sustenta: do outro lado também não jogou nenhum.
- Jean Montero fez 30 pontos, recorde pessoal pela seleção dominicana, com 5 de 9 nos três.
- Andrés Feliz, do Real Madrid, somou 24 pontos e 9 assistências.
- Léo Meindl foi o melhor do Brasil, com 19 pontos e 7 rebotes.
- Karl-Anthony Towns, Al Horford e Chris Duarte não estiveram em quadra.
- Foram 8.231 pessoas no Nilson Nelson, que viram a primeira derrota do time.
Quem decidiu não veio da NBA
A pré-lista da República Dominicana tinha três nomes com contrato ativo na liga americana, e nenhum deles apareceu em Brasília. Quem ganhou o jogo foram dois jogadores formados na Europa.
Montero, que apareceu para o mundo ainda adolescente levando a seleção ao Mundial, fez a melhor partida da carreira com a camisa do país: 30 pontos, cinco bolas de três em nove tentativas, quatro rebotes, três assistências e dois roubos. Feliz, armador do Real Madrid, quase fechou um duplo-duplo com 24 pontos e nove assistências.
Isso muda o diagnóstico. Ontem mesmo contamos que a liga liberou cerca de 36 jogadores para 22 seleções nesta janela, e nenhum era do Brasil. O jogo de Brasília mostrou que o buraco não é exatamente esse: a diferença apareceu no basquete europeu, não no americano.
O jogo virou no terceiro quarto
O Brasil não entrou mal em quadra. Começou dominando e construiu vantagem confortável antes de perder o controle no período que costuma decidir jogo de seleção.
| Quarto | Pontos do Brasil |
|---|---|
1º quarto Dominicana fez 18 | 29 melhor período |
2º quarto Dominicana fez 32 | 29 ritmo mantido |
3º quarto Dominicana fez 25 | 14 onde o jogo virou |
4º quarto Dominicana fez 19 | 18 reação insuficiente |
São 58 pontos nos dois primeiros períodos contra 32 nos dois últimos. O terceiro quarto sozinho foi 25 a 14 para os visitantes, e essa diferença de onze pontos é maior que o placar final. O Brasil ainda voltou a jogar de igual para igual no último período, mas partiu de um buraco que não deu para cobrir em dez minutos.
O que isso custa na tabela
A derrota tira o retrospecto perfeito, não a liderança. O Brasil vai a seis vitórias e uma derrota no Grupo E, e a República Dominicana chega a cinco e duas, encostando. Em classificatório longo, com seis janelas até o Mundial do Catar, tropeço em casa pesa mais que tropeço fora, porque é ponto que dificilmente se recupera no returno.
A chance de resposta vem rápido. O Brasil visita o México na segunda-feira, às 23h10 no horário de Brasília, no fechamento desta janela.
Perder invencibilidade em casa, diante de mais de oito mil pessoas, dói mais no discurso do que na tabela. O que o jogo entregou de útil foi um alerta menos confortável que o da ausência da NBA: o Brasil não perdeu para quem tem astro da liga americana, perdeu para quem tem armador de Real Madrid. Esse é um problema mais difícil de resolver com convocação.



