Draymond Green saiu em defesa de Klay Thompson e mirou na imprensa: para ele, tratar a chegada do ala-armador ao Heat como se fosse o Klay de 2018 é armar uma armadilha. No mesmo programa, ele disse não saber como o jeito do ex-companheiro vai conviver com a rigidez da Heat Culture.
- Klay acertou com o Heat no domingo, 23 de agosto, por dois anos e US$ 11,5 milhões.
- Ele entra na 16ª temporada da carreira, aos 36 anos.
- Em 2025-26, pelo Mavericks, fez 11,7 pontos por jogo, o pior número da carreira.
- Draymond comparou o papel dele ao de Ray Allen no Heat de 2012.
- O episódio foi ao ar em 26/08/2026, no The Draymond Green Show.
A armadilha que ele enxergou
O incômodo de Draymond não é com o Heat nem com o Klay. É com o tamanho da expectativa que apareceu no minuto seguinte ao anúncio, e com quem vai cobrar a conta quando ela não for paga.
Não venham armar pro meu irmão como se vocês fossem receber o Klay de 2017, pra no momento em que não receberem, todo mundo poder detonar ele. Isso é sacanagem.
Ele foi específico sobre o que espera: "Eu queria que a imprensa esportiva falasse disso mais como quando o Ray Allen foi para Miami. É esse o papel que eu esperaria do Klay". E lembrou o óbvio que ninguém quis dizer alto: "Ele está entrando no ano 16 de carreira. E a gente sabe muito bem das lesões que ele enfrentou".
A dúvida sobre a Heat Culture
A segunda parte foi menos elogio e mais interrogação. Draymond não questionou o arremesso, questionou o encaixe de temperamento numa franquia conhecida por não abrir exceção para ninguém.
"Achei curioso quando vi que falaram Klay indo para Miami, e eu pensei: ah, aquele lance da Heat Culture", disse. "Não sei como isso vai funcionar para o Klay, porque o Klay anda no ritmo do próprio tambor. Não tem maldade nenhuma, é só quem ele é, e eu quero ver como isso encaixa nessa coisa de Heat Culture."
Vale lembrar que o Warriors tentou trazer Klay de volta e esbarrou na regra do apron, o que deixou Miami com o caminho livre.
Ray Allen é uma régua justa?
A comparação que Draymond propôs tem como testar. Basta pôr lado a lado o Klay do auge, o veterano que ele diz que Miami está contratando e o modelo que ele citou.
| Temporada | Pontos por jogo |
|---|---|
Klay Thompson, 2018-19 última temporada inteira antes do joelho | 21,5 40,2% de três |
Klay Thompson, 2025-26 pelo Mavericks, saindo do banco | 11,7 38,3% de três |
Ray Allen, 2012-13 primeiro ano no Heat, aos 37 | 10,9 41,9% de três |
A tese se sustenta. Os 11,7 pontos da última temporada estão a oito décimos dos 10,9 de Ray Allen no primeiro ano em Miami, e não perto dos 21,5 de 2018-19. A diferença aparece na pontaria: Allen chegou acertando quase 42% de três, e Klay vem de 38,3%, o que significa que o Heat contratou o volume de arremesso de um coadjuvante sem a eficiência que fez daquele coadjuvante um campeão.
Ele já queria sair antes de sair
No mesmo episódio, Draymond soltou uma segunda bomba: para ele, era "altamente provável" que Klay deixasse o Warriors na agência livre de 2019, e só o joelho rompido nas finais daquele ano segurou a saída por mais cinco temporadas.
A leitura muda o retrato do trio. O mesmo Draymond que já explicou por que não queria mais Klay no elenco agora conta que o próprio Klay tinha um pé fora bem antes. E, horas antes disso ir ao ar, Bob Myers dizia no podcast Cousins que teria travado se precisasse trocar justamente o Klay.
Três versões do mesmo vestiário no mesmo dia, e nenhuma delas combina com a foto de família que a franquia vendeu por uma década. O que Draymond pediu foi simples: julguem o Klay pelo que ele é agora. O problema é que a lista de gente disposta a fazer isso costuma ser curta.



