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Kamilla Cardoso domina o garrafão da WNBA em 2026

Hoop78 31 de Agosto de 2026

Kamilla Cardoso faz 14,9 pontos e 8,9 rebotes por jogo na temporada 2026 da WNBA, os melhores números da carreira dela, e é a brasileira mais produtiva do basquete profissional em qualquer liga do mundo agora. Em junho, ela quebrou um recorde da liga que durava dez anos, e quase ninguém no Brasil ficou sabendo.

Direto ao ponto
  • Ela acertou 13 arremessos em 13 tentativas contra o Portland Fire, recorde da WNBA.
  • A marca anterior era de Nneka Ogwumike, com 12 de 12, em 2016.
  • Foi a terceira escolha do draft de 2024, pelo Chicago Sky.
  • O Sky está em 15 vitórias e 25 derrotas, fora da zona de classificação.
  • O Sky fez 38 assistências naquele mesmo jogo, também recorde da liga.

O jogo em que ela não errou nada

Em 27 de junho, contra o Portland Fire, aconteceu a coisa mais improvável que um pivô pode fazer numa quadra: acertar tudo.

Foram 30 pontos com 13 de 13 de quadra, na vitória por 124 a 94. Nenhuma jogadora na história da WNBA tinha convertido treze arremessos sem errar um, e a marca que caiu era de Nneka Ogwumike, de 2016, com 12 de 12. No mesmo jogo o Chicago Sky distribuiu 38 assistências, outro recorde da liga, tirado do Seattle Storm.

O detalhe que explica quem ela é: Cardoso parou de arremessar depois do terceiro quarto, com 24 minutos jogados, para não estragar o aproveitamento. Não era o time precisando dela em quadra, e ela sabia exatamente o que estava em jogo.

Três temporadas, três saltos

O que separa uma boa novata de uma jogadora de elite é o que acontece do segundo para o terceiro ano, e a linha dela não tem um degrau para baixo.

TemporadaPontos por jogo
2024
32 jogos, 7,9 rebotes
9,8
time de novatas do ano
 
2025
40 jogos, 8,5 rebotes
13,6
52,8% de aproveitamento
 
2026
38 jogos, 8,9 rebotes
14,9
recorde de 13 de 13
 
Pontos: 9,8 para 14,9 em três anos
Rebotes: 7,9 para 8,9

São mais cinco pontos por jogo do primeiro ano para o terceiro, sem perder rebote e sem perder eficiência. Pivô que evolui assim costuma virar peça de time grande, e é aí que a história dela fica desconfortável.

O time não acompanha

O Chicago Sky está em 15 vitórias e 25 derrotas, quinto lugar no Leste e fora da zona de classificação com a temporada regular indo até 24 de setembro. É o terceiro ano seguido em que ela joga bem num time que não vai a lugar nenhum.

A conta não é dela. Cardoso foi a terceira escolha do draft de 2024 e chegou a uma franquia em reconstrução, o que costuma significar bons números pessoais e nenhum jogo grande na televisão. É o mesmo motivo pelo qual pouca gente por aqui viu qualquer coisa que ela fez.

Por que isso devia importar mais no Brasil

Neste momento, nenhum brasileiro está em elenco da NBA, como mostra o levantamento dos 36 jogadores da liga que disputaram a última janela das Eliminatórias. A lista de brasileiros que já jogaram na NBA parou de crescer.

Enquanto isso, uma brasileira de 2 metros e 1 é titular numa liga profissional americana, melhora todo ano e tem um recorde de liga no nome. A diferença entre ela ser conhecida aqui ou não é só cobertura, e a WNBA no Brasil ainda é tratada como assunto de nicho, apesar de o site já ter discutido o que a NBA pode aprender com o All-Star Weekend delas.

O que vem pela frente

Restam poucos jogos até 24 de setembro, e a chance real que sobra para 2026 é individual: fechar a temporada com a melhor média de pontos e rebotes que uma brasileira já registrou numa liga americana.

É pouco perto do que ela merecia, e é muito mais do que quase qualquer atleta brasileiro está fazendo no basquete hoje. Treze de treze não é sorte, e daqui a alguns anos ninguém vai lembrar em que posição o Chicago Sky terminou.

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