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Anthony Davis: cinco trocas ousadas que podem funcionar

16 de Novembro de 2025

A demissão de Nico Harrison colocou o Dallas Mavericks em um daqueles pontos de ruptura que ninguém imaginava nove meses atrás. Desde a troca que enviou Luka Doncic para o Lakers em um movimento que já é tratado como uma das piores negociações da história recente da NBA, a franquia do Texas desandou: campanha 3-8, um elenco sem identidade e um Anthony Davis que atuou em apenas 14 dos 44 jogos desde que chegou. A saída de Harrison parece ser o primeiro passo de uma reorganização profunda – e isso naturalmente levanta a pergunta: AD é o próximo da fila?

O cenário não é simples. Por um lado, quando está saudável, Anthony Davis continua sendo um dos melhores bigs da NBA, capaz de mudar o nível de qualquer defesa e elevar o teto de um contender ou de um time jovem emergente. Por outro, seu valor de mercado hoje é provavelmente o mais baixo da carreira: histórico extenso de lesões, impacto inconsistente desde que chegou em Dallas e um contrato pesado. Ainda assim, ligas não esperam “momento perfeito”: sempre vai haver times interessados. A questão é quem teria apetite – e o que estaria disposto a pagar por essa versão do “Brow”

1. Sacramento Kings: entre o tanque e a teimosia

Kings recebem: Anthony Davis
Mavericks recebem: Zach LaVine, Keon Ellis e escolha de primeira rodada de 2027

O Sacramento Kings vive uma temporada estranha, com campanha ruim, defesa frágil e um elenco recheado de jogadores com perfil de reforço de deadline para contenders. A fragilidade no aro é gritante: o time permite 70,1% de aproveitamento em finalizações a até 1,2 metro da cesta, um buraco que transforma qualquer drive em bandeja. Em teoria, o cenário perfeito para abraçar o tanque e mirar forte no Draft de 2026.

Mas é justamente aí que entra a “lógica Kings”. Em vez de aceitar uma reconstrução profunda, a franquia poderia mirar em um atalho: emparelhar Domantas Sabonis com Anthony Davis, improvavelmente apostando numa dupla de bigs em 2025. Davis resolveria o problema mais evidente (proteção de aro) e levaria a defesa a outro patamar. Em troca, Sacramento abriria mão de Zach LaVine (já “Bulls-izado” nesse universo), Keon Ellis e uma escolha de 2027.

Para Dallas, o ganho seria menos estrutural e mais de “reset”: sai AD, entra pontuação externa e um ativo de Draft. É uma troca que até faz sentido na superfície, mas que parece muito mais alinhada à dificuldade crônica dos Kings de abraçarem uma reconstrução de verdade do que à melhor linha de desenvolvimento de ambos os times.

2. Chicago Bulls: o apelo do craque em fim de ciclo

Bulls recebem: Anthony Davis e D’Angelo Russell
Mavericks recebem: Nikola Vucevic, Kevin Huerter, Coby White e escolha de primeira rodada desprotegida em 2029

Do lado do Mavericks, essa construção é bem pragmática: Nikola Vucevic, Kevin Huerter e Coby White em fim de contrato significam uma oportunidade de se livrar do compromisso longo com Anthony Davis sem carregar salário pesado para as próximas temporadas. Com projeção de time acima do segundo apron e uma conta de repeater tax de cerca de 90 milhões, limpar a folha é quase tão importante quanto acumular talento. Levar uma escolha de 2029, quando Cooper Flagg teoricamente estará no auge e AD aos 36, adiciona upside futuro à equação.

Para o Chicago Bulls, o movimento tem mais a ver com narrativa do que com lógica fria. O time precisa de um protetor de aro e, saudável, AD ainda é capaz de ancorar uma defesa de top 10. Ao lado de jovens como Josh Giddey e Matas Buzelis, ele poderia ser a peça que “profissionaliza” a defesa e oferece um teto mais alto em um Leste sempre acessível. O problema é o risco já conhecido: um grande nome, caro, com histórico de lesões e que talvez não seja suficiente para levar o time ao status de contender. Mesmo assim, é o tipo de aposta que Chicago historicamente se sente tentado a fazer.

3. Toronto Raptors: acelerar um projeto que começou a andar

Raptors recebem: Anthony Davis

Mavericks recebem: RJ Barrett, Jakob Poeltl e duas escolhas futuras de primeira rodada

O Toronto Raptors finalmente parece ter encontrado algum tipo de tração com Scottie Barnes no centro do projeto e um elenco mais coerente ao redor. Nada que deva impedir a franquia de pensar maior. Iniciar a temporada 6-5 é animador, mas adicionar Anthony Davis significaria acelerar esse projeto de forma agressiva, transformando a proteção de aro e organizando toda a estrutura defensiva.

AD é o tipo de big que permite que a versatilidade de Barnes e de forwards como Collin Murray-Boyles e Immanuel Quickley se manifeste no limite: pressão na bola, risco nas linhas de passe e liberdade para caçar roubos de bola, sabendo que há uma âncora atrás. Jakob Poeltl é sólido, mas não oferece o mesmo teto defensivo e nem o mesmo impacto dois lados da quadra.

Pelas regras salariais, Poeltl teria quase certeza de estar no pacote, junto com um core player como RJ Barrett ou Quickley. O verdadeiro chamariz, porém, está na munição de picks: o Raptors tem todas as suas futuras escolhas de primeira rodada disponíveis e pode montar uma oferta volumosa. A saída de Harrison significa que Dallas terá uma nova direção no comando, provavelmente menos inclinada a “queimar” ativos sem retorno estrutural, o que torna a negociação mais dura.

4. Charlotte Hornets: o salto arriscado, mas necessário

Hornets recebem: Anthony Davis
Mavericks recebem: Miles Bridges, Collin Sexton e três escolhas futuras de primeira rodada (incluindo a própria escolha de 2027 de Dallas)

O Charlotte Hornets passou tantos anos como sinônimo de confusão que é quase estranho falar em “fundação sólida”, mas esse é o contexto atual. Sob o comando de Jeff Peterson e do técnico Charles Lee, o time montou uma base interessante em torno de LaMelo Ball, Brandon Miller e um grupo de novatos que já contribuem de verdade: Kon Knueppel, Sion James e o líder de aproveitamento de quadra da liga, Ryan Kalkbrenner.

Não é, racionalmente, o momento perfeito para um all-in, mas é possível argumentar que AD seja justamente a melhor oportunidade de salto imediato que Charlotte terá em muito tempo. Ele traria uma presença de estrela, impacto defensivo de elite e uma válvula de segurança para noites em que os jovens oscilarem. Numa conferência Leste rasa, isso poderia empurrar o time para uma disputa real por playoffs, encurtando o caminho da reconstrução.

O preço, claro, é alto: múltiplas escolhas de primeira rodada (incluindo reaver a escolha de 2027 que pertence a Dallas), além de jogadores como Miles Bridges e Collin Sexton. É uma aposta com risco evidente — especialmente pelo histórico físico de AD —, mas para uma franquia que luta há décadas por relevância, o potencial de retorno pode justificar a ousadia.

5. Detroit Pistons: AD como sucessor natural do “Fro”

Pistons recebem: Anthony Davis e Klay Thompson
Mavericks recebem: Jaden Ivey, Tobias Harris, Ron Holland e Isaiah Stewart

A ideia de Anthony Davis nos Detroit Pistons é sedutora: um núcleo com Cade Cunningham, Ausar Thompson, Jalen Duren e AD parece equilibrar defesa, criação e físico em nível de contender em formação. Davis poderia jogar na posição 4, como prefere, sem precisar carregar o ataque o tempo todo, servindo mais como peça que eleva o teto do time do que como salvador solitário.

Para Dallas, a troca significaria um pacote de jovens interessantes (Jaden Ivey, Ron Holland, Isaiah Stewart) mais o contrato de Tobias Harris para bater salário, um retorno que mistura presente e futuro. A grande dúvida está do lado de Detroit: com o time voando (9-2 e liderando o Leste), faz sentido mexer em uma química tão positiva? AD é bom o suficiente para justificar abrir mão de profundidade e flexibilidade? E até que ponto o histórico de lesões dele é compatível com um “all-in” desse tamanho?

São questões reais – mas é difícil não se empolgar, ao menos em teoria, com um núcleo Cade–AD–Ausar–Duren jogando em alto nível em playoffs.

Então, o Mavericks vai fazer um “fire sale”?

A demissão de Nico Harrison e o contexto desastroso pós-troca de Luka Doncic apontam para uma reavaliação completa do projeto do Mavericks. Anthony Davis provavelmente estará no centro de qualquer conversa de reformulação, seja pela dificuldade de encaixá-lo em um time em reconstrução profunda, seja pelo valor que ainda pode render no mercado certo.

Ainda assim, “fire” total não é garantia. O novo front office terá de equilibrar:

  • a necessidade de limpar a folha salarial e evitar penalidades pesadas de imposto;
  • a pressão para acumular picks depois de anos sem controle total sobre suas escolhas;
  • o valor simbólico e esportivo de manter uma estrela de peso no elenco enquanto a transição para a era Cooper Flagg (ou qualquer outro jovem pilar) acontece.

Se existe um consenso possível, é este: o telefone de Dallas vai tocar, e muito. E, pela primeira vez desde a troca por AD, a franquia parece disposta a ouvir com mais atenção.

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