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Shaq alerta Lakers sobre Reaves às vésperas de retorno de LeBron

16 de Novembro de 2025

Enquanto o Lakers abre a temporada com 10-4 e Luka Doncic em ritmo de MVP, um outro enredo silencioso ganhou força em Los Angeles: a ascensão de Austin Reaves para um patamar que ninguém mais pode chamar de coadjuvante. E justamente agora que LeBron James está perto de voltar, a discussão explodiu: o quanto essa versão de Reaves sobrevive à gravidade do camisa 23?

O peso da gravidade de LeBron e o alerta dos veteranos

Austin Reaves e LeBron James em partida do Lakers

A provocação veio de quem já viveu isso na pele. Paul Pierce resumiu o que ele enxerga como um inevitável choque de realidade para quem está brilhando sem LeBron:

“A presença do Bron é forte demais. Quando ele está lá, ele vai comandar tudo.”

Leia também: Ja Morant e Anthony Edwards juntos? O pesadelo que o Lakers não quer ver virar realidade

A leitura é simples: hoje, Luka e Reaves estão sorrindo, dando entrevista falando como é jogar sob a liderança de LeBron, tudo luz e discurso alinhado. Mas, na prática, a tendência é clara: com LeBron em quadra, alguém vai ter menos a bola na mão. E a história sugere que quase sempre o ataque orbita em torno dele.

Shaquille O’Neal foi além, no The Big Podcast with Shaq, usando aquele “código de rua” que ele adora:

“Ele (Reaves) pode jogar. Mas quando o homem volta, tudo muda. Em termos de rua: enquanto o OG tá preso, você manda em tudo. Mas quando ele volta pra casa, você sabe como é. Eu sinto pelo Austin, porque ele tá bem, jogando bem, mas quando o LeBron, quando o time estiver completo, ele vai voltar a ficar no canto, pegando bola no estouro.”

A metáfora pode ser exagerada, mas toca numa verdade incômoda: a versão mais agressiva e dominante de Reaves apareceu, justamente, no vácuo de LeBron.

A evolução de Austin Reaves em números

Para entender o tamanho do salto, é preciso olhar a linha do tempo. Antes desta temporada, Reaves já tinha se estabelecido como um dos achados mais valiosos do elenco:

  • 14,5 pontos
  • 4,3 assistências
  • 3,8 rebotes
  • 48,1% nos arremessos de quadra

Na última temporada, ainda com LeBron James presente na maioria dos jogos, o papel cresceu:

  • 20,2 pontos
  • 5,8 assistências
  • 4,5 rebotes
  • 46% de aproveitamento nos arremessos

Mas foi nesta temporada, sem LeBron, que Reaves entrou em outro nível. Considerando os nove primeiros jogos sem o camisa 23, ele praticamente sequestrou o ataque do Lakers:

  • 28,3 pontos
  • 8,3 assistências
  • 5,1 rebotes
  • 47% nos arremessos de quadra

Em vários desses jogos, Luka Doncic também ficou de fora, forçando Reaves a assumir, de fato, o papel de armador principal, organizando meia quadra, controlando ritmo e tomando decisões de alto volume. Não é apenas um cara “quente” por duas semanas; é alguém sustentando responsabilidade de estrela em contexto adverso.

A atuação contra o New Orleans Pelicans, pela Copa da NBA, foi o resumo perfeito dessa nova versão:

  • 31 pontos (9/16 nos arremessos, 2/6 nas bolas de três, 11/13 em lances livres)
  • 4 rebotes
  • 7 assistências
  • 1 toco e 1 roubo
  • 39 minutos em quadra

No recorte atual da temporada, ele está em:

  • 28,6 pontos por jogo (8º na liga)
  • 5,0 rebotes
  • 8,2 assistências (6º na liga)
  • 47,8% de aproveitamento nos arremessos

É, tranquilamente, o melhor trecho da carreira de Austin Reaves.

Como Reaves enxerga a volta de LeBron

Austin Reaves e LeBron James em partida do Lakers

Publicamente, ninguém no vestiário está em pânico com o retorno de LeBron James. E o próprio Reaves foi cuidadoso no discurso, deixando claro que entende quem está voltando e o que isso representa:

“Conhecendo ele, ele passou esses primeiros 11 jogos assistindo e analisando o jogo, pensando em como pode ajudar o time quando voltar.”

Lendo nas entrelinhas, há uma admissão silenciosa: Reaves sabe que o papel muda quando LeBron pisa na quadra. Ele não fala em “como eu vou seguir com a bola na mão”, mas em como LeBron vai se encaixar para ajudar. A hierarquia está implícita.

E faz sentido: na última temporada, mesmo aos 40 anos, LeBron teve números de All-NBA:

  • 24,4 pontos
  • 7,8 rebotes
  • 8,2 assistências
  • 51,3% de aproveitamento de quadra
  • 37,6% nas bolas de três

Com esse nível de produção e o histórico de ser o organizador principal de ataque por duas décadas, é inevitável: a bola vai ser puxada de volta para a órbita dele.

LeBron no banco? A solução caótica de Paul Pierce

Em meio à discussão sobre encaixe, Paul Pierce lançou a sugestão mais maluca — e, por isso mesmo, mais comentada:

“Pra isso funcionar, quando o LeBron voltar, ele tem que vir do banco.”

Em qualquer outro momento da carreira de LeBron, isso pareceria completamente fora da realidade. Mas 2025 já tem sido uma temporada estranha para ele: lesão de ciática, estreia atrasada, time jogando bem sem sua presença e Luka ocupando o papel de astro número 1 no dia a dia da quadra. Pensar em um “LeBron sexto homem de luxo” seria, no mínimo, um experimento histórico.

Na prática, é muito difícil imaginar JJ Redick abrindo mão de começar jogos com LeBron e Luka juntos. Mas Pierce tocou em um ponto que não é só provocação: se o Lakers quiser preservar o melhor de Reaves e potencializar Luka, talvez precise ser agressivo e criativo na maneira como usa o camisa 23.

“Reavesvolution” x “Linsanity”: até onde isso vai?

A comparação não veio da torcida, mas de dentro da cobertura nacional. Um dia antes do Halloween, Shaquille O’Neal puxou o debate: Austin Reaves x Jeremy Lin. Kenny Smith enxergou o paralelo direto com a “Linsanity” de 2012, quando um Lin não draftado saiu de 2,8 pontos por jogo para ter uma sequência de sete jogos com mais de 25 pontos pelo New York Knicks.

O repórter Dave McMenamin, da ESPN, batizou o momento como:

“Reavesvolution. Essa semana está chegando em níveis de Linsanity para o Austin Reaves. Deixem a Reavesvolution continuar.”

Estatisticamente, o currículo já pende a favor de Reaves, mesmo antes do auge atual:

  • Pontos por jogo (temporada regular): Reaves 14,8 x Lin 11,6
  • Pontos por jogo (playoffs): Reaves 16,7 x Lin 7,2
  • Assistências por jogo: Reaves 4,4 x Lin 4,3 (Lin teve pico de 6,2 numa temporada; Reaves já flertou com 10,0 em seus melhores jogos)
  • Roubos de bola: Lin 1,1 x Reaves 0,8

Em termos de eficiência, a diferença é ainda maior:

  • Reaves: 48,2% de quadra, 37% de três, 86,5% em lances livres
  • Lin: 43,3% de quadra, 34,2% de três, 80,9% em lances livres

A grande questão não é se Reaves é melhor jogador que Lin foi (a resposta caminha para um “sim”), mas se o momento atual pode se transformar em algo sustentável, mesmo com Luka e LeBron em quadra. A “Linsanity” foi um meteoro. A “Reavesvolution” tem cara de construção gradual que agora ganhou uma explosão de protagonismo.

O que acontece com Reaves quando LeBron voltar?

Toda essa discussão, no fim, volta para a mesma pergunta: Reaves está vivendo apenas uma fase “sem dono na quadra” ou ele provou que precisa ser tratado como criador permanente do ataque, mesmo com LeBron e Luka disponíveis?

Em termos de teto, o Lakers ganha muito com um Reaves agressivo, que:

  • ataca closeouts em vez de só arremessar parado no canto;
  • organiza pick-and-roll secundário quando Luka é dobrado;
  • carrega parte da criação quando LeBron estiver gerenciando minutos e físico;
  • mantém o ataque fluido com as estrelas no banco.

Em termos de hierarquia, o histórico da carreira de LeBron indica que o jogo tende a girar ao redor dele sempre que está em quadra. A chave, para Redick, será equilibrar essas forças: respeitar a gravidade de LeBron, mas não transformar Reaves de novo naquele cara “esquecido no canto”.

Se o Lakers conseguir manter um Austin Reaves em modo “Reavesvolution” mesmo com LeBron e Luka saudáveis, o time ganha algo que poucos contenders têm: três organizadores legítimos em quadra, cada um capaz de matar o jogo de um jeito diferente.

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