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Por que a NBA não está na Netflix, e não é por dinheiro

A liga vendeu 11 anos por US$ 76 bilhões para ESPN, NBC e Amazon. A Netflix não disputou, e o motivo está no que ela compra em esporte.

19 de setembro de 2026 4 min de leitura
Por que a NBA não está na Netflix, e não é por dinheiro
Logo: Netflix
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A NBA não tem um único jogo na Netflix, e não é falta de dinheiro de nenhum dos dois lados. A liga vendeu os direitos por onze anos e US$ 76 bilhões para ESPN, NBC e Amazon. A Netflix não disputou, porque o que ela compra em esporte não é temporada: é data.

Direto ao ponto
  • O contrato atual da liga vale até a temporada 2035-36 e deixou a TNT de fora.
  • A Netflix transmite cinco jogos da NFL em 2026, não uma temporada.
  • Ela tem os direitos das Copas do Mundo femininas de 2027 e 2031.
  • No Natal, dois jogos da NFL na Netflix caem entre os cinco da NBA.
  • A NBA joga 1.230 partidas por temporada regular, sem contar os playoffs.

A NBA vendeu onze anos por US$ 76 bilhões, e a Netflix não estava na mesa

O tamanho do contrato explica metade da resposta, e o formato dele explica a outra metade.

A liga fechou acordos de onze temporadas, de 2025-26 até 2035-36, divididos entre Disney (ESPN e ABC), Comcast (NBC e Peacock) e Amazon. O valor somado chega a US$ 76 bilhões. A TNT, que transmitia NBA desde 1989, ficou de fora. Em nenhuma das rodadas de negociação a Netflix apareceu como concorrente.

O que está sendo vendido ali é volume: são 1.230 jogos de temporada regular por ano, mais playoffs, mais o All-Star, mais a NBA Cup. Quem compra precisa preencher a grade de outubro a junho, oito meses seguidos.

A Netflix compra ocasião, e diz isso abertamente

A empresa não esconde o critério, e ele é o oposto do que a NBA vende.

O foco está no impacto de ocasiões específicas, e não no volume contínuo de transmissões.

Bela Bajaria, diretora de conteúdo da Netflix

Na prática, isso virou cinco jogos da NFL em 2026: os de Natal, o da véspera de Thanksgiving e os das semanas de abertura e de encerramento. No futebol, a Netflix já tem os direitos das Copas do Mundo femininas de 2027 e 2031, e manifestou interesse nas masculinas de 2030 e 2034. São datas marcadas no calendário do mundo inteiro, não rodadas semanais.

Para uma plataforma que vende assinatura, o cálculo é direto: um evento único que faz o assinante entrar na semana rende mais que oitenta jogos que ele assiste distraído. A NBA não tem como vender isso separado, porque o valor dela está justamente na repetição.

No Natal, os dois dividem o mesmo dia

É aí que a estratégia da Netflix encosta na NBA sem precisar comprar um jogo sequer da liga.

O que passa em 25 de dezembroBrasília
NBA: Spurs contra o Knicks
ESPN e ABC, abre a rodada
14h
NFL: Packers contra o Bears
Netflix
15h
NBA: Heat contra o Celtics
ESPN e ABC
16h30
NFL: Bills contra o Broncos
Netflix
18h30
NBA: Sixers contra o Lakers
ESPN e ABC, a volta de LeBron a Los Angeles
19h
NBA: Thunder contra o Timberwolves
ESPN e ABC
22h
NFL: Rams contra o Seahawks
FOX
22h15
NBA: Nuggets contra o Warriors
ESPN e ABC, já no dia 26 no Brasil
00h30

São cinco jogos da NBA e três da NFL no mesmo dia, e os dois da Netflix caem exatamente nos intervalos da liga de basquete. A NBA nunca disputou o Natal com tanta gente: até 2023 a data era praticamente dela nos Estados Unidos.

A comparação de audiência é o que sustenta a escolha

Existe um número que explica por que a Netflix foi para a NFL e não para o basquete.

Em 2022, os jogos de Natal da NFL fizeram cerca de 22 milhões de espectadores por partida nos Estados Unidos. Os da NBA, no mesmo dia, fizeram 4,31 milhões. É uma diferença de cinco vezes em um único dia de calendário, e é exatamente o tipo de pico que o modelo da Netflix persegue.

Isso não quer dizer que a NBA valha menos: os US$ 76 bilhões do contrato dela são a prova do contrário. Quer dizer que ela vale de outro jeito, distribuído em oito meses, e esse jeito não cabe em uma plataforma que compra data. Enquanto o modelo da Netflix for esse, a NBA não vai estar lá, e quem quiser assistir à liga no Brasil vai continuar procurando em outro lugar.

Valores do contrato de mídia conferidos na ESPN, e a grade de Natal no anúncio da própria Netflix.

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