O Timberwolves fechou com Jonathan Kuminga por dois anos e US$ 13 milhões, segundo a ESPN. É o desfecho mais barato possível de uma novela que começou com o jogador pedindo mais de US$ 20 milhões por temporada. Ele aceitou menos de um terço disso para jogar em Minnesota.
- Nos playoffs de 2025, contra o próprio Timberwolves, fez 20,8 pontos com 54,3% de aproveitamento.
- Ganhou US$ 22,5 milhões na 2025-26, mais que o triplo do novo salário anual.
- Atlanta abriu mão de uma opção de time de US$ 24,3 milhões e o perdeu de graça.
- Pelo Hawks, em 16 jogos, marcou 12,3 pontos e pegou 5,3 rebotes.
- Minnesota fechou a 2025-26 em 49-33, a quinta campanha vencedora seguida.
A conta encolheu três vezes
Para medir o tamanho do tombo, o caminho é olhar em sequência o que Kuminga recebia, o que ele quase recebeu e o que vai receber agora.
| Etapa | Salário por temporada |
|---|---|
2025-26 último ano do contrato assinado no Warriors | US$ 22,5 mi salário pago |
2026-27 opção de time que o Hawks recusou | US$ 24,3 mi nunca exercida |
Timberwolves média anual dos dois anos assinados | US$ 6,5 mi US$ 13 mi no total |
São US$ 17,8 milhões a menos por ano do que a opção que Atlanta jogou fora e menos de 30% do que ele embolsou na temporada passada. O contrato inteiro, somados os dois anos, é menor que o salário de um único ano em qualquer das duas etapas anteriores. Aos 23 anos, escolhido em sétimo no draft de 2021, Kuminga trocou o cheque pelos minutos.
O time que ele castigou nos playoffs
Existe uma ironia grossa no destino. A última vez que Kuminga jogou basquete inegociável foi justamente contra Minnesota, na série de 2025, quando o Warriors perdeu Stephen Curry na abertura e ele virou a primeira opção ofensiva por obrigação. Foram 20,8 pontos por jogo e mais da metade dos arremessos de quadra convertidos, incluindo uma noite de 30 pontos no Chase Center.
Quem estava do outro lado da quadra naquele mês é quem assina o contrato agora. A comissão técnica de Minnesota viu de perto o problema que Kuminga cria quando ataca a cesta com espaço, e o time gastou 15 meses até conseguir contratar exatamente esse problema por preço de reserva.
Como o preço despencou até aqui
A queda não foi acidente de última hora, foi o acúmulo de portas que fecharam. O Hawks abriu mão da opção de US$ 24,3 milhões e ele virou agente livre irrestrito, com a expectativa de assinar por mais de US$ 15 milhões por temporada. Nada disso apareceu.
O Lakers ofereceu, ouviu não e seguiu a vida contratando Quentin Grimes, Collin Sexton e Sandro Mamukelashvili. O Cavaliers desistiu e foi buscar Peyton Watson numa troca. Em duas semanas, os dois finalistas evaporaram, e o que sobrou da disputa foi o time que sempre teve o menor cofre. O impasse com três pretendentes terminou com o único deles que não precisou de sign-and-trade nenhum: com valor nesse patamar, Minnesota assina direto.
Onde ele encaixa no elenco
O Timberwolves é outro time em relação ao que chegou a duas finais de conferência seguidas. Julius Randle e Naz Reid saíram, LaMelo Ball chegou numa troca de quatro times ao lado de Anthony Edwards, e a rotação de ala-pivô ficou fina atrás de Jaden McDaniels. Kuminga preenche esse buraco por um salário que, em Minnesota, não atrapalha planejamento nenhum.
O risco é conhecido e ele mesmo já apresentou em duas franquias: o jogador quer bola, e time que disputa o Oeste distribui bola por hierarquia, não por currículo. A diferença é que agora ele tem dois anos e um contrato pequeno para provar o ponto, e não uma opção de US$ 24 milhões protegendo o erro. Do lado de uma diretoria que acabou de trocar de dono, contratar talento com desconto é o tipo de aposta que não custa nada errar.
Kuminga passou o verão inteiro tentando provar que valia US$ 20 milhões e terminou assinando pela franquia que mais sofreu com ele em quadra. Se render em Minnesota o que rendeu contra Minnesota, os dois anos serão o melhor negócio da free agency de 2026. Se não, foi só mais um agente livre que esperou demais e assinou onde ainda tinha vaga.



