O YouTube negocia com a NBA para reunir num só lugar as transmissões locais de quase toda a liga. A conversa está avançada e a NBA quer cerca de US$ 1,2 bilhão para entregar 29 dos 30 times. Se sair, o pacote começa na temporada 2027-28.
- A informação é do Sports Business Journal, que apurou as conversas entre a liga e o YouTube.
- No primeiro ano entrariam pelo menos 25 times, e os demais chegariam em ondas.
- O Raptors fica fora por causa do contrato que o time tem com a Rogers, no Canadá.
- O DAZN aparece como alternativa caso o acordo com o YouTube não se feche.
O que exatamente está à venda
Não é o pacote nacional, aquele dos jogos que passam para o país inteiro. É o direito local, o que cada time vende na própria região e que por décadas ficou nas mãos das redes regionais de esporte. A NBA quer tirar isso de trinta contratos separados e transformar em um só produto.
O desenho seria um hub dentro do YouTube, com o jogo do time da sua região. A liga receberia o valor cheio e repassaria a cada time conforme o tamanho do mercado, o que significa que Lakers e Knicks levariam mais que Grizzlies e Pelicans.
O tamanho do dinheiro
Para saber se US$ 1,2 bilhão é muito ou pouco, o único parâmetro honesto é o que a liga já recebe pelo pacote nacional, assinado com Disney, NBC e Amazon.
| Pacote | Valor por ano |
|---|---|
Nacional Disney, NBC e Amazon, contrato de 11 anos | US$ 7,0 bi em vigor até 2035-36 |
Local o que a liga pede ao YouTube por 29 times | US$ 1,2 bi começaria em 2027-28 |
O pedido local vale cerca de 17% do que o nacional paga por ano. Parece pouco perto dos US$ 7 bilhões, mas é dinheiro que hoje chega picado, contrato por contrato, em um mercado de redes regionais que vem encolhendo há anos. Trocar trinta negociações frágeis por uma só, com um comprador global, é o ponto da operação.
Quem fica de fora
O Raptors é o único que já está descartado, porque os direitos dele no Canadá pertencem à Rogers, dona do time. Sobram 29, e nem todos entrariam juntos: a projeção é de pelo menos 25 no primeiro ano.
Lakers e Knicks, os dois maiores mercados da liga, aparecem como indefinidos nas conversas. Faz sentido: quem tem o contrato local mais valioso é quem menos precisa de um pacote coletivo, e quem mais tem a perder se o rateio por mercado não agradar.
Reunir tudo num lugar não simplifica nada
Aqui mora a ironia da operação. A promessa de juntar os jogos locais soa como fim da bagunça, mas o torcedor americano continuaria colecionando assinaturas, porque o pacote nacional está espalhado por três empresas diferentes.
| Onde assinar | O que passa lá |
|---|---|
| Hub novo, YouTube ou DAZN | Os jogos do time da sua região |
| NBA League Pass | Os jogos de fora do seu mercado |
| ESPN | Parte do pacote nacional |
| Amazon Prime Video | Parte do pacote nacional |
| Peacock | Parte do pacote nacional |
São cinco portas para assistir a um campeonato só, e a conta do torcedor sobe a cada uma delas. O que a NBA está resolvendo é o próprio problema de arrecadação, não o de quem senta no sofá.
O que muda para quem assiste do Brasil
Nada, pelo menos por enquanto. O pacote em negociação trata de direitos locais dentro dos Estados Unidos, aquilo que hoje passa nas redes regionais americanas. Quem acompanha a liga daqui continua dependendo do League Pass e dos canais que compram a NBA no Brasil, e essa é outra mesa de negociação.
O que interessa ao torcedor brasileiro é o precedente. Se a maior liga de basquete do mundo aceitar entregar as transmissões locais a uma plataforma de vídeo, o caminho fica aberto para o resto do esporte fazer o mesmo, aqui inclusive.



