Horry: a chave do Lakers não é Luka nem Reaves
Robert Horry crava Walker Kessler como o fator da temporada do Lakers, acima de Doncic. Danny Green discorda e vê o elenco jovem demais.
Robert Horry cravou que quem decide a temporada do Lakers não é Luka Doncic nem Austin Reaves, e sim Walker Kessler. O tricampeão pela franquia apontou o pivô que chegou do Jazz como o fator do título, e lembrou que os dois astros terminaram a temporada passada machucados.
- Kessler jogou cinco partidas em 2025-26 antes de operar o ombro esquerdo.
- Em 2024-25 foi o segundo maior tocador da liga, atrás só de Wembanyama.
- Liderou a NBA em rebotes ofensivos por jogo naquela temporada.
- Assinou com o Lakers por quatro anos e US$ 130 milhões.
- Danny Green olhou o mesmo elenco e duvidou dos playoffs.
A frase que Horry soltou
Horry ganhou três dos cinco títulos do Lakers nos anos 2000 e não costuma falar por elogio fácil. Ao comentar o elenco novo, ele passou por cima dos dois nomes que a franquia colocou na vitrine.
Vai ser muito interessante ver o que ele consegue fazer, porque ele é a chave. Não é o Luka, não é o AR. É ele.
O argumento dele tem duas pernas. A primeira é o que Kessler faz em quadra: “a gente não tem um pivô desde o AD que bloqueie daquele jeito e ainda abra para o arremesso de três”, disse, citando Anthony Davis. A segunda é a saúde dos outros: “pensa no Luka nos playoffs, ele não estava inteiro. O AR, no fim da temporada, também não”.
O que se sabe do Kessler, e de quantos jogos
Aí mora o problema de quem tenta prever o que ele vai entregar. As duas temporadas mais recentes dele não são comparáveis, e a mais recente é a que quase não existiu.
| Temporada no Jazz | Jogos |
|---|---|
2024-25 11,1 pontos, 12,2 rebotes e 2,4 tocos | 58 |
2025-26 14,4 pontos e 10,8 rebotes até a cirurgia | 5 |
Os números melhores são os de cinco jogos. O ombro esquerdo travou o resto: labrum rompido, cirurgia e temporada encerrada. A base sólida é a de trás, a de 58 jogos, quando ele terminou em segundo na liga em tocos e em primeiro em rebotes ofensivos. Horry está apostando na versão de cinco jogos, e o Lakers pagou como se ela fosse a regra.
Por que o toco muda o time inteiro
O Lakers de 2025-26 defendia o garrafão com Deandre Ayton e improviso. Kessler resolve por trás, o que muda o que os armadores podem arriscar na frente.
Danny Green olha o mesmo elenco e vê outra coisa
Campeão pelo Lakers em 2020, Green foi mais frio na mesma semana. Ele gostou das peças e desconfiou do calendário longo: “gostei das peças que eles pegaram. Sei que são jovens, então não muito rodados. Acho que vai ser um time bom de temporada regular. Playoffs, não sei, por causa da juventude e da experiência”.
As duas leituras não se contradizem, e é isso que as torna úteis juntas. Horry aponta o que pode elevar o teto do time. Green aponta o que pode derrubar o piso dele em abril. O elenco que entra sem desculpa em 2026-27 depende dos dois cenários não se cruzarem.
O preço que já foi pago
Nada disso é hipótese barata. Para tirar Kessler do Jazz, o Lakers entregou duas primeiras rodadas sem proteção, de 2031 e 2033, mais trocas de escolha em 2028 e 2030, em uma operação de sign-and-trade confirmada pela NBA. A conta vence na década que vem, quando Doncic tiver 32 e 34 anos.
Horry está certo em um ponto, mesmo que erre no resto: o Lakers construiu esta temporada de um jeito que só faz sentido se o pivô jogar. Se o ombro segurar, a aposta se explica sozinha. Se não segurar, sobra um elenco jovem, rápido e sem quem proteja o aro, com duas escolhas de loteria já gastas.








