O Kings mandou o gerente-geral Scott Perry à Flórida para ver Ben Simmons treinar de perto, e a leitura de quem estava lá foi positiva. Só que a notícia saiu acompanhada de uma ressalva: nem todo mundo em Sacramento comprou a versão de que o australiano voltou a ser o que era.
- Simmons ficou fora da temporada 2025-26 inteira e está sem time.
- O Kings tem 13 contratos padrão e precisa de pelo menos 14 para começar a temporada.
- Gabe Vincent também aparece na lista de nomes avaliados pela franquia.
- Ele treinou em Miami ao lado de Victor Oladipo, com o preparador Ryan Powell.
- Nas últimas semanas apareceu arremessando com a seleção australiana, em Melbourne.
O que o Kings foi ver
Um gerente-geral atravessar o país para assistir a um treino individual de agente livre não é praxe. Costuma significar que a franquia já passou da fase de conferir vídeo e quer ver com os próprios olhos se o corpo aguenta.
O que atrai é o mesmo de sempre: um armador de dois metros e dez que enxerga a quadra como poucos e defende quatro posições. O que afasta também é o mesmo: as costas, o arremesso e cinco anos de promessa de retorno que nunca se completou.
A ressalva que veio junto
Carmichael Dave, que cobre o time de perto, tratou o relato do treino com desconfiança aberta e classificou o episódio como mais uma edição do ritual anual de agosto em que Simmons aparece em ótima forma. É um ceticismo que tem lastro no calendário.
O próprio Simmons alimentou o movimento por outro lado, dizendo que quer voltar a vestir a camisa da Austrália, treze anos depois da última convocação. Voltar à seleção e voltar à NBA são projetos diferentes, mas partem do mesmo pré-requisito, que é jogar.
O tamanho da queda
A pergunta que o Kings precisa responder não é se Simmons ainda enxerga passe. É quanto sobrou do jogador que foi Calouro do Ano em 2018 e três vezes All-Star.
| Temporada | Pontos por jogo |
|---|---|
2017-18 temporada de calouro, 81 jogos | 15,8 melhor marca da carreira |
2020-21 última temporada em Filadélfia, 58 jogos | 14,3 ainda titular |
2024-25 última vez em quadra, 51 jogos | 5,0 saindo do banco |
De 15,8 para 5,0 pontos por jogo em sete anos, com uma temporada inteira sem jogar depois disso. A queda não foi gradual, foi um degrau: entre a última em Filadélfia e a chegada ao Nets, ele perdeu metade da produção e nunca mais recuperou. Em 2024 o assunto já era tratado por aqui como o fim da carreira dele. Por isso o Kings está olhando um jogador de contrato mínimo, e não uma peça de rotação garantida.
Por que ainda faz sentido tentar
Faz sentido porque o custo é baixo e a vaga existe. O time tem cadeira sobrando na folha, e um contrato de piso não atrapalha plano nenhum se não der certo. Já se falava em salário mínimo para o retorno dele antes mesmo desse treino.
Aos 30 anos, Simmons ainda está longe da idade em que a NBA para de ligar. O problema nunca foi calendário, foi confiança: a dele no próprio arremesso e a das franquias no corpo dele. Nenhuma das duas se resolve num treino fechado na Flórida, por melhor que tenha sido.



